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Mulheres Rurais: Essenciais mas Desvalorizadas

Acesso restrito a direitos básicos perpetua desigualdades no setor agropecuário.

15/10/2025 às 21:25
Por: Redação

Agronegócio

Há 30 anos, a Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu o Dia Internacional das Mulheres Rurais, comemorado em 15 de outubro, destacando a importância das trabalhadoras rurais e a necessidade de assegurar seus direitos. A ONU Mulheres emitiu uma declaração instando governos a adotarem medidas eficazes para promover igualdade e fortalecer essas mulheres.

A declaração enfatiza que, diariamente, as mulheres rurais alimentam comunidades, protegem o meio ambiente e impulsionam o desenvolvimento sustentável. No entanto, muitas vivem em situações precárias. A liderança feminina tem historicamente promovido mudanças, mas a desigualdade persiste.

No Brasil, apesar de as mulheres representarem cerca de 30% da força de trabalho rural e liderarem 20% das propriedades, 48% estão na informalidade, sem acesso a direitos como licença-maternidade e aposentadoria. Elas recebem 20% menos que os homens por funções similares, enfrentando ainda jornadas duplas, dificuldades de acesso a crédito, políticas públicas e infraestrutura básica.

"As mulheres rurais desempenham atividades essenciais, mas muitas vezes não têm seus direitos garantidos", afirma Alessandra Bambirra, auditora-fiscal e representante da Delegacia Sindical do Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais do Trabalho em Minas Gerais. Bambirra defende a valorização do trabalho feminino para combater a informalidade e fortalecer o protagonismo econômico e social das mulheres que sustentam o campo brasileiro.

O Ministério das Mulheres, por sua vez, destaca políticas para a autonomia econômica das mulheres rurais, como o Fórum Nacional Permanente de Enfrentamento à Violência Contra as Mulheres do Campo, da Floresta e das Águas, e também enfatiza a presença feminina nas discussões da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), que ocorrerá em Belém.

O Projeto Rural Sustentável (PRS) é outro exemplo de política que apoia a autonomia financeira feminina, especialmente no Cerrado e na Amazônia. O projeto, financiado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento e Reino Unido, busca fortalecer cadeias produtivas da Amazônia Legal. Mais de 1.500 mulheres beneficias participam, enfrentando desafios e buscando reconhecimento.

Histórias como a de Sônia Maria de Abreu, produtora em Goiás, e Ediana Capich, cultivadora de café em Rondônia, mostram a persistência das mulheres rurais, que enfrentam barreiras para comercializar seus produtos e buscam valorização pelo trabalho que realizam. O relato de Sônia evidencia os desafios de acesso a crédito, enquanto Ediana demonstra o amor e dedicação ao seu ofício.

As histórias dessas mulheres são um testemunho da importância do investimento em trabalhadoras rurais para garantir um futuro mais sustentável e justo.

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