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Música de Beyoncé na sala de aula ajuda no ensino de matemática

Professor usa batidas de funk para tornar fórmula de Bhaskara mais interessante.

15/10/2025 às 11:29
Por: Redação

Uso criativo da música para ensinar matemática

Ao som de "Halo", de Beyoncé, acompanhado por um ritmo de funk improvisado com batidas nas mesas e cadeiras, é ensinada uma importante fórmula matemática: x igual a menos b mais ou menos a raiz de b ao quadrado menos quatro ac dividido por dois a. Este método, desenvolvido pelo matemático Bhaskara para resolver equações do segundo grau, ganha vida nas aulas do professor Marcos Nunes, do Ginásio Educacional Olímpico Isabel Salgado, no Rio de Janeiro. Ele reconhece que, sem a música e sua criatividade, o ensino seria mais árduo.

“Eu dou a aula normalmente e então coloco a música da Beyoncé, sem aviso. Depois, começo a cantar, incorporando a fórmula. Os alunos se animam e aprendem se divertindo. Tento tornar a aula o mais dinâmica possível”, explica Nunes sobre seu método de ensino, que busca motivar os estudantes e melhorar o aprendizado.

No Brasil, professores enfrentam um desafio: gastar 21% do tempo de aula apenas para manter a disciplina. Isso significa que, de cada cinco horas de aula, uma é dedicada somente a pedir a atenção dos alunos. Além disso, 44% dos docentes relatam interrupções frequentes por parte dos alunos, conforme dados da Pesquisa Internacional sobre Ensino e Aprendizagem (Talis) 2024 da OCDE.

Neste Dia Nacional do Professor, celebrado em 15 de outubro, a Agência Brasil conversou com professores para entender essas dificuldades e as estratégias que adotam para tornar o ensino interessante. Após 20 anos lecionando, Nunes consegue identificar facilmente alunos com dificuldades, que podem ser os mais disruptivos na sala. Ele mesmo teve dificuldades na escola e sabe que revisar conteúdos repetidamente ajuda esses estudantes a não ficarem para trás. “Eu fui aluno de escola pública e sempre digo aos meus alunos que não aceito que o ensino público seja ruim”, comenta, destacando que faz diferença na vida dos alunos. Com suas abordagens, alunos melhoram o desempenho e se envolvem mais na aula.

IA na sala de aula

No Centro Educacional de Tempo Integral Paulo Freire, em Guaribas, Piauí, a professora Amanda de Sousa ensina inteligência artificial (IA) como parte do programa Piauí Inteligência Artificial. Ela foi desafiada a aprender sobre IA, um campo no qual não tinha muito conhecimento, mas rapidamente se especializou, inclusive concluindo uma pós-graduação. Mesmo os nativos digitais não dominam completamente as ferramentas de IA, e a escola ajuda a desenvolver essa habilidade.

“Notei que os alunos não prestavam muita atenção, mas, após um mês, começaram a se interessar mais pela IA, utilizando-a de forma ética para pesquisas e trabalhos escolares”, diz a professora. Enfrentando limitações como a presença de apenas 25 computadores para 200 alunos, Amanda desenvolveu maneiras de ensinar IA também offline, como construir árvores de decisão usando a fauna local como exemplo, demonstrando a inteligência artificial de forma prática.

Mais atenção e respeito

Em Cacoal, Rondônia, Elisângela Dell-Armelina Surui, coordenadora das escolas indígenas Paiter Surui, menciona que o desafio é manter o interesse dos alunos no ensino médio. Já para os alunos do 1º ao 6º ano, a motivação é natural, mas na adolescência precisa de incentivo. É comum alunos quererem continuar estudos fora das aldeias, o que preocupa pela manutenção da língua e cultura indígenas.

O uso abusivo de celulares é uma distração, mas quando acontece, as famílias, que participam ativamente da vida escolar, são chamadas. A tecnologia, porém, também serve como estímulo, com professores que utilizam vídeos e IA para tornar as aulas mais dinâmicas.

Aprender no cotidiano

A educadora indigenista Maria do Carmo Barcellos, que desenvolve materiais para escolas indígenas, ressalta a importância de o ensino se aproximar do cotidiano dos estudantes. Materiais produzidos localmente ajudam no aprendizado explorando modos de vida indígena, como a produção de roça e mudanças climáticas, incentivando um aprendizado prático que transmite conhecimentos de maneira tradicional.

Disciplinar é educar?

Luana Tolentino, da Universidade Federal de Minas Gerais, destaca que a disciplina não deve ser o foco principal na sala de aula. Práticas pedagógicas que ressoam com as vivências dos alunos contribuem mais para o aprendizado, disse ela. De acordo com dados da OCDE, no Brasil, apenas 14% dos professores sentem que a profissão é valorizada, enquanto 21% relatam estresse elevado no trabalho. A saúde mental de 16% dos professores é impactada negativamente pela profissão e, no campo físico, 12% afirmam sofrer devido ao trabalho.

Dia do Professor: conheça a história

O Dia Nacional do Professor é comemorado em 15 de outubro, instituído através da criação do Ensino Elementar por D. Pedro I em 1827. A data tornou-se oficial em 1963, honrando os educadores em todo o Brasil.

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