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Ações comunitárias transformam manguezais da Baía de Guanabara

Projetos de limpeza e educação ambiental, com incentivos financeiros, recuperam ecossistemas e fortalecem comunidades tradicionais em Magé.

02/03/2026 às 16:13
Por: Redação

A participação comunitária de povos tradicionais vem promovendo uma significativa transformação ambiental nos manguezais da Baía de Guanabara. Através de projetos focados na limpeza de resíduos sólidos, na conscientização de pescadores e catadores de caranguejo, e na recuperação da fauna e flora locais, o ecossistema está sendo revitalizado em diversos municípios circundantes. Magé, na Baixada Fluminense, é um dos exemplos de sucesso dessa iniciativa colaborativa e sustentável.

 

Nos meses de janeiro e fevereiro, as ações do Projeto Andadas Ecológicas, desenvolvido pela Organização Não Governamental Guardiões do Mar, resultaram na remoção de 4,5 toneladas de rejeitos somente em Magé. Pescadores artesanais, catadores de caranguejo, além de adolescentes e crianças das comunidades de Suruí e adjacências, localizadas no recôncavo da Baía de Guanabara, são os principais beneficiários diretos dessas operações.

 

Mais do que a limpeza dos manguezais, o Andadas Ecológicas inova ao integrar a formação de um ecoclube e a implementação do Pagamento por Serviços Ambientais (PSA). Este mecanismo inédito utiliza a Moeda Azul, denominada Mangal, como tecnologia social para incentivar a participação. Com duração de dois anos e dois meses, o projeto envolverá escolas, espaços comunitários e moradores das margens do Rio Suruí, em Magé.

 

Inovação com Pagamento Ambiental

Pedro Belga, presidente da Guardiões do Mar, destaca que o projeto Andadas Ecológicas possui diferenciais importantes, não se limitando à simples remoção de lixo. O foco se estende à educação ambiental, que será promovida intensamente ao longo das duas margens do Rio Suruí. As comunidades são incentivadas a coletar seus resíduos sólidos pós-consumo, aprendendo a descartar corretamente e a reciclar o que for possível.

 

Essa abordagem inovadora motiva famílias, crianças e jovens a trocar os resíduos sólidos coletados pelas moedas Mangal. Posteriormente, as moedas podem ser utilizadas em um bazar, permitindo a aquisição de diversos objetos. Este sistema não apenas promove a limpeza ambiental, mas também gera um retorno financeiro tangível e um engajamento comunitário duradouro.

 

Pedro Belga relembra que o Pagamento por Serviços Ambientais foi adotado pela Guardiões do Mar já em 2001, em sua primeira ação na Baía de Guanabara, na comunidade da Ilha de Itaoca. Ele explica que as comunidades se sensibilizam e constatam que a limpeza resulta em maior produção de peixes e caranguejos.


“A partir daí, entendemos a importância de como vale a pena contratar essas comunidades para fazer a limpeza.”


A limpeza dos mangues é uma atividade muito aguardada, especialmente pelos catadores de caranguejo, devido ao período de defeso. No Rio de Janeiro, a coleta, transporte e comercialização do caranguejo-uçá são proibidos de 1º de outubro a 30 de novembro. Nesse contexto, a bolsa-auxílio, paga pelo serviço ambiental prestado pela comunidade, torna-se uma ferramenta de extrema importância para a subsistência local.

 

Impacto Econômico e Extensão

Rafael dos Santos, presidente da Associação de Caranguejeiros e Amigos dos Mangue de Magé (ACAMM), reforça que o Turismo de Base Comunitária, outra atividade econômica local, é diretamente beneficiado pela remoção dos resíduos. Um manguezal mais limpo e um rio mais saudável atraem visitantes para a região. O Andadas Ecológicas é uma extensão da Operação LimpaOca, que já recolheu mais de 100 toneladas de resíduos.

 

Coordenador da Operação LimpaOca, Rodrigo Gaião, explica que o projeto, ativo desde 2012 na região da Área de Proteção Ambiental (APA) de Guapimirim, pela primeira vez se estenderá da foz à nascente do Rio Suruí. Entre os itens coletados, Gaião lista sofás, tubos de imagem de televisão, lixo eletrônico e peças de madeira. No entanto, o plástico permanece o tipo de resíduo mais frequente.

 

Gaião enfatiza a persistência do problema do plástico nos manguezais. Os projetos de limpeza dos mangues na APA de Guapimirim tiveram início em 2000, após um vazamento da Petrobras que ligava a Refinaria Duque de Caxias (Reduc) ao terminal Ilha d'Água, na Ilha do Governador. Na época, a Petrobras pagou multa de 35 milhões de reais ao Ibama e aplicou 15 milhões de reais na revitalização da baía.


“[Entre os resíduos], o plástico domina, seja em forma de garrafa pet ou outros tipos de potes plásticos e sacolas em quantidade absurda. Dependendo do tempo que aquilo está no manguezal, é grande a quantidade de fragmentos.”


O histórico de ações da ONG Guardiões do Mar inclui iniciativas como Do Mar ao Mangue, Dia de Limpeza da Baía de Guanabara, Sou do Mangue, Guanabara Verde e Uçá, demonstrando uma construção contínua de esforços. Essa persistência valoriza não apenas o território e a qualidade de vida, mas também fortalece a consciência dos pescadores de que sua luta pela preservação ambiental não é em vão.

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