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Ações integradas reforçam recuperação do Rio Mimoso em Bonito

Projeto reúne governo, ONGs e produtores para restaurar margens e proteger recursos hídricos em Bonito

19/03/2026 às 22:00
Por: Redação

O trabalho de recuperação das margens do Rio Mimoso, localizado em Bonito, Mato Grosso do Sul, avança graças ao Projeto Águas de Bonito. Esta iniciativa reúne diferentes instituições públicas, organizações da sociedade civil e produtores rurais, todos engajados em proteger os recursos hídricos da região.

 

Participam do projeto a Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), representada pelo Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul), o Ministério Público Estadual, o Instituto das Águas da Serra da Bodoquena (IASB), a Prefeitura de Bonito, o Sindicato Rural e os proprietários de terrenos rurais inseridos na bacia do Rio Mimoso.

 

A origem do projeto está relacionada ao desafio compartilhado pelos órgãos ambientais: a amplitude do território e a variedade de ambientes naturais, fatores que dificultam a fiscalização contínua das áreas sensíveis. Diante desse obstáculo, foi formada uma parceria institucional focada em ampliar a capacidade de diagnóstico e de recuperação ambiental nas propriedades rurais da bacia do rio.

 

Lançado em 2020, o Projeto Águas de Bonito deu seus primeiros passos com vistorias técnicas e levantamentos ambientais, realizados de maneira conjunta pelo Imasul, IASB e Ministério Público. Esse diagnóstico identificou as principais áreas atingidas por degradação ambiental e permitiu propor soluções ajustadas para cada situação encontrada.

 

Durante essa fase, as equipes técnicas examinaram as condições de cada propriedade, definindo intervenções adequadas para a recuperação dos locais afetados. Em determinados casos, apenas o isolamento das Áreas de Preservação Permanente (APPs) foi considerado suficiente para promover a regeneração natural da vegetação. Em outras propriedades, foi necessário o reposicionamento de cercas para afastar a produção das margens do rio, além do plantio de mudas de espécies nativas para recompor a vegetação ciliar.

 

O processo de recuperação também envolveu o diálogo com os proprietários de terras da região, que concordaram em abrir suas propriedades para as inspeções técnicas e participar ativamente das ações. A adesão voluntária desses produtores foi considerada decisiva para o avanço das práticas de conservação na área.

 

O gestor regional do Imasul em Bonito, Marcelo Brasil, detalhou que a atuação do instituto se concentrou, principalmente, na etapa técnica inicial.

 

“O Imasul participou diretamente da etapa de diagnóstico ambiental, com vistorias nas propriedades e identificação das medidas necessárias para recuperar as áreas degradadas. A partir desse levantamento técnico foi possível definir quais soluções seriam aplicadas em cada local, sempre com foco na proteção das margens do rio e na recuperação da vegetação ciliar”, destacou.

 

Com as informações coletadas durante as inspeções, foram elaboradas propostas de recuperação ambiental, que atualmente orientam todas as ações do projeto.

 

O IASB, Organização Não Governamental dedicada à conservação dos recursos naturais da Serra da Bodoquena, é o responsável por executar a etapa de implantação das medidas de recuperação, que inclui o plantio de mudas nativas.

 

Ao mesmo tempo, o Imasul mantém a fiscalização ambiental durante todo o processo, acompanhando o cumprimento das ações previstas e garantindo que todas as intervenções estejam de acordo com as orientações técnicas definidas previamente.

 

Segundo a fiscal ambiental do Imasul, Luciana Valle de Loro, a recomposição da vegetação nas margens fluviais é imprescindível para garantir o equilíbrio ecológico.

 

“A recuperação das matas ciliares é uma das medidas mais eficazes para proteger os rios. A vegetação nas margens ajuda a evitar processos de erosão, contribui para a qualidade da água e garante abrigo para diversas espécies da fauna e da flora”, explicou.

 

Além do aspecto ambiental, o projeto desempenha papel fundamental na sensibilização da população acerca da necessidade de preservar os recursos naturais, especialmente em Bonito, município reconhecido nacionalmente por sua biodiversidade e pelo turismo ecológico.

 

De acordo com Liliane Lacerda, representante executiva do IASB, os resultados alcançados até o momento são fruto da cooperação entre as instituições envolvidas no Projeto Águas de Bonito.

 

“A cooperação entre o Imasul e o IASB mostra como a união entre poder público e sociedade civil fortalece a conservação ambiental. Enquanto o Imasul garante o suporte técnico e a segurança das ações, o IASB atua na restauração ambiental e na mobilização dos produtores. Esse trabalho conjunto tem avançado na proteção de nascentes, recuperação de áreas degradadas e melhoria da qualidade da água, com ações de longo prazo como restauração florestal, conservação do solo e educação ambiental”, resumiu.

 

A relevância do Projeto Águas de Bonito foi além das fronteiras regionais. Em 2024, o projeto foi reconhecido nacionalmente ao vencer a categoria “Elementos Naturais” da 22ª edição do Prêmio CREIA de Meio Ambiente – Troféu Siriema, promovido pelo Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Goiás (CREA-GO), considerado o “Oscar da Sustentabilidade”. Esse prêmio destaca iniciativas voltadas à conservação ambiental e ao uso sustentável dos recursos naturais.

 

O diretor-presidente do Imasul, André Borges, ressaltou a importância da atuação conjunta para a gestão ambiental do Mato Grosso do Sul.

 

“O Projeto mostra que a união entre instituições públicas, organizações ambientais e produtores rurais é fundamental para ampliar a proteção dos nossos recursos hídricos.

 

O Imasul contribui com o suporte técnico e a fiscalização, garantindo que as ações ocorram com base em critérios ambientais sólidos e com foco na preservação de longo prazo”, destacou.

 

A conquista do Troféu Siriema reforça a importância do trabalho realizado em Bonito e evidencia como a cooperação entre órgãos públicos, entidades ambientais e produtores rurais pode produzir resultados efetivos para a proteção dos rios, a recuperação das áreas degradadas e a conservação dos ecossistemas naturais de Mato Grosso do Sul.

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