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Atividade urbana concentra maioria dos resgates de trabalho análogo à escravidão em 2025

Ministério do Trabalho e Emprego resgatou 2.772 pessoas, com 68% dos casos ocorrendo nos centros das cidades pela primeira vez na história

29/01/2026 às 16:15
Por: Redação

O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) revelou que, em 2025, um total de 2.772 pessoas foram resgatadas de situações de trabalho análogo à escravidão em todo o Brasil. Pela primeira vez na história dos balanços anuais, a maioria esmagadora desses trabalhadores, cerca de 68%, estava empregada em atividades concentradas nos grandes centros urbanos. Este dado marca uma mudança significativa no perfil das operações de combate a essa prática criminosa.

 

“O trabalho escravo contemporâneo não está restrito a uma atividade econômica específica. Embora tradicionalmente haja mais resgates no meio rural, em 2025 o número de trabalhadores resgatados no meio urbano foi maior.”


A declaração foi feita por Shakti Borela, coordenadora-geral de Fiscalização para Erradicação do Trabalho Análogo ao de Escravidão e do Tráfico de Pessoas, destacando a abrangência do problema. Ela ressaltou que a fiscalização tem se adaptado para cobrir a diversidade de setores econômicos onde a exploração de mão de obra vulnerável persiste.

 

A análise setorial apontou a construção civil como o principal foco dos resgates em áreas urbanas, registrando 601 casos em obras de alvenaria e 186 em construções de edifícios e prédios. Outros segmentos com elevado número de vítimas incluíram a administração pública, com 304 ocorrências, o cultivo de café, totalizando 184, e a extração e beneficiamento de pedras e materiais de construção, com 126 resgates.

 

O perfil dos resgatados em 2025, conforme o MTE, revela que a maior parte são homens, com baixa escolaridade, e pertencem à faixa etária entre 30 e 39 anos. Este grupo demográfico é frequentemente alvo de recrutadores devido à sua situação de vulnerabilidade. A pesquisa também indicou que 83% dos indivíduos resgatados se autodeclaram negros, compreendendo pretos ou pardos, evidenciando um recorte racial.

 

Dercylete Loureiro, diretora do Departamento de Fiscalização do Trabalho, comentou que esse perfil sociodemográfico sublinha trajetórias marcadas por vulnerabilidades históricas. Tais condições expõem uma parcela considerável da população brasileira a situações análogas à escravidão por longos períodos. A luta contra o trabalho forçado é, portanto, também uma questão de justiça social e reparação histórica.

 

Os estados com maior número de resgates em 2025 foram Mato Grosso, com 607 vítimas, Bahia, com 482, Minas Gerais, que registrou 393, e São Paulo, onde 276 trabalhadoras e trabalhadores foram libertados. Esses dados mostram a amplitude geográfica do problema, que afeta diversas regiões do país, tanto rurais quanto urbanas.

 

Direitos Garantidos e Ações Fiscalizatórias

 

Após as operações de fiscalização, os trabalhadores resgatados tiveram acesso a direitos fundamentais, como o Seguro-Desemprego do Trabalhador Resgatado (SDTR), pago em três parcelas equivalentes a um salário mínimo. Eles também foram encaminhados a serviços públicos de assistência social. O Ministério do Trabalho garantiu, ainda, o pagamento de mais de nove milhões de reais em verbas rescisórias, oferecendo um mínimo de reparação financeira.

 

No total, os auditores-fiscais do MTE realizaram 1.594 ações de combate ao trabalho análogo à escravidão ao longo de 2025. Essas iniciativas resultaram não apenas nos resgates, mas também na garantia de direitos trabalhistas para um contingente de mais de 48 mil trabalhadores e trabalhadoras. A atuação integrada é crucial para coibir a exploração.

 

Canais para Denunciar o Trabalho Análogo à Escravidão

 

Para denunciar violações de direitos dos trabalhadores e situações análogas à escravidão, não é necessário se identificar. Qualquer cidadão pode registrar uma denúncia de forma anônima e segura. Os canais disponíveis incluem a plataforma online do governo, o telefone 158 e o Disque 100, garantindo o sigilo e a proteção dos denunciantes.

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