O Banco Central anunciou nesta quinta-feira (15) a liquidação da Reag Investimentos, atualmente CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A, com sede em São Paulo. A instituição está sob suspeita de fraudes ligadas ao Banco Master. A ação ocorre um dia após mandados de busca serem cumpridos pela Polícia Federal contra a empresa e seu ex-CEO, João Carlos Mansur, na segunda fase da Operação Compliance Zero.
A liquidação foi justificativa pelas "graves violações às normas" do Sistema Financeiro Nacional, conforme comunicado do Banco Central. Além disso, a medida implica a indisponibilidade dos bens dos controladores e ex-administradores da Reag, impedindo alienações que poderiam prejudicar o patrimônio.
Segundo o Banco Central, a Reag está classificada no segmento S4, representando menos de 0,001% do ativo total do sistema financeiro, o que garante uma regulação mais simplificada devido ao menor risco. Mesmo assim, ela administrava cerca de 90 fundos de investimento, agora em busca de nova gestora, mantendo os interesses dos investidores.
"A decretação da liquidação extrajudicial foi motivada por graves violações", afirmou o Banco Central.
Os fundos que continuam operando precisarão garantir a continuidade dos investimentos de seus diversos contribuintes. As investigações apontam que o esquema financeiro teria movimentado depósitos e retiradas pela Reag, ocultando os beneficiários finais e ultrapassando 11 bilhões de reais em desvios.
O caso, originalmente investigado pela Justiça Federal de primeira instância, chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF) por envolver suspeitas de participação de pessoas com foro privilegiado. O relator, ministro Dias Toffoli, que autorizou operações recentes, enfrentou questionamentos após ter sido visto em um avião particular com um advogado ligado ao caso, pouco antes de impor sigilo no processo.
"Continuaremos adotando todas as medidas cabíveis", reiterou o Banco Central.
Paralelamente, o Tribunal de Contas da União (TCU) analisa o comportamento do Banco Central no caso, considerando a possibilidade de uma inspeção sobre os procedimentos que resultaram na liquidação do Banco Master. O cenário ainda se desenvolve, com múltiplas frentes investigativas e administrativas em andamento.