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Brasil registra aumento de 4,1% em desaparecimentos em 2025

Número alcança 84.760 casos no ano, com 232 ocorrências diárias

31/01/2026 às 16:01
Por: Redação

O Brasil registrou 84.760 casos de desaparecimento de pessoas em 2025, equivalendo a uma média de 232 sumiços diários. Este número representa um aumento de 4,1% comparado a 2024, quando foram contabilizados 81.406 desaparecimentos.

 

Os dados são do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp). Mesmo com a criação da Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas em 2019, a situação persiste crítica. Em 2019, os desaparecimentos somavam 81.306, 4,2% a menos do que em 2025.

 

O total de desaparecidos só diminuiu nos anos de 2020 e 2021, em grande parte devido à pandemia de covid-19, segundo especialistas. As restrições dificultaram o acesso às delegacias, levando a uma subnotificação.

 

“Há um consenso de que esta queda momentânea foi causada pela pandemia, pelo fato das pessoas terem que ficar em casa”, afirmou Simone Rodrigues, coordenadora do Observatório de Desaparecimento de Pessoas no Brasil, à Agência Brasil.


Um dado positivo é o aumento de localização de desaparecidos. Em 2025, 56.688 pessoas reapareceram ou foram encontradas, um aumento de 51% desde 2020 e 2% em relação a 2024.

 

Segundo Simone Rodrigues, este progresso advém de estratégias e ferramentas de busca mais eficazes. Ela destaca uma maior interoperabilidade dos dados entre instituições em anos recentes.

 

Pessoas desaparecem por diversas razões, muitas vezes relacionadas a crimes não esclarecidos. A exemplo da corretora Daiane Alves de Souza, em Caldas Novas, desaparecida em dezembro. Seu corpo foi encontrado em janeiro de 2026, e os suspeitos confessaram o crime.

 

“As dinâmicas dos casos de desaparecimento são complexas e diversas. Para compreendê-las, é preciso levar em conta várias formas de violência, como o feminicídio e o tráfico de pessoas”, ponderou Simone.


Política Nacional

 

Após quase sete anos desde a implementação, a Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas ainda enfrenta desafios significativos. Simone Rodrigues aponta para a necessidade de ajustes e baixa adesão ao Cadastro Nacional, criado apenas em 2025.

 

“Ela está sendo implementada pouco a pouco e já necessita de ajustes. Muitos estados ainda não aderiram ao cadastro”, comentou.


Segundo a Secretaria Nacional de Segurança Pública, 12 das 27 unidades da federação estão conectadas ao sistema. As dificuldades incluem a fragmentação de dados e a falta de comunicação entre delegacias.

 

“O Ministério Público não conversa com outro estado. Quando se localiza um corpo, é preciso enviar cópia das digitais para os 27 entes da federação”, explica Simone.


O Ministério da Justiça e Segurança Pública reconheceu a subnotificação, mas considera o aumento de 4% não necessariamente um crescimento real dos casos, dado os desafios de classificação e coleta de dados padronizados.

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