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Brilhetes de Anchieta: mulheres ganham destaque no tradicional bate-bola

Carnaval 2026 marca a consolidação das Brilhetes de Anchieta como expressão cultural feminina no Rio de Janeiro.

09/02/2026 às 16:07
Por: Redação

Com o desfile das Brilhetes de Anchieta se aproximando, o mistério em torno da fantasia do grupo feminino está prestes a ser revelado. Formadas por meninas e mulheres, as Brilhetes desfilarão nesta sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026, exibindo indumentárias que foram cuidadosamente preparadas durante seis meses.

 

Os bate-bolas, parte tradicional do carnaval de rua no subúrbio do Rio de Janeiro, ganharam uma nova configuração com a presença feminina. A fantasia inclui a icônica bola de borracha, agora parte de uma explosão de cores e criatividade que define o grupo.

 

Um espaço conquistado

Vanessa Amorim, produtora cultural, lidera a turma desde sua fundação em 2013. Antes parte da Turma do Brilho, ela e outras mulheres decidiram criar um novo caminho nas ruas. "Eu via as mulheres apenas como ajuda, nunca como protagonistas. Queríamos mais", ela relata.


"As mulheres ficavam sempre na posição de mãe e esposa e nunca como brincante", ressalta Vanessa.


A força do grupo está também nos laços criados entre as participantes. Alexandra Cunha, de 44 anos, mãe de três, afirma que as Brilhetes se tornaram sua segunda família. "Gliterar as casacas e preparar cada peça é emocionante", comenta.

 

A homenagem deste ano vai para a escritora mineira Conceição Evaristo, inspirando o grupo com seu lema de resistência e identidade. O reconhecimento de Evaristo se estampa, simbolicamente, no "kit" usado pelas participantes.

 

Preparação intensa

A dedicação ao projeto é expressa em cada detalhe das fantasias. Este ano, as máscaras pintadas à mão representam semanas de trabalho árduo nas instalações do grupo, o chamado quartel-general.

 

A tradição de financiamento também se mantém forte, com as participantes contribuindo para cobrir os custos dos trajes, que variam entre 1.500 e 3.000 reais, agregando ainda mais valor a esse patrimônio cultural.

 

Desafios e reconhecimento

A despeito da falta de apoio governamental, as Brilhetes continuam firmes. Caroline Bottino, professora da Uerj, aponta a falta de investimento em comparativo às áreas centrais do Rio. "É a resistência que mantém essa tradição viva", ela conclui.


"O carnaval do Rio tem endereço certo e cada vez mais ele é projetado para atrair o turismo", critica Bottino.


O grupo, além de buscar autonomia, pede por um reconhecimento oficial, que permitam maior participação em concursos e ações culturais voltadas à inclusão e valorização de suas tradições.

 

A luta das Brilhetes de Anchieta representa mais do que carnaval; é um símbolo de como o protagonismo feminino ressignifica tradições e ocupa espaços públicos essenciais para a identidade cultural do Rio de Janeiro.

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