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Câmara: Comissão de Direitos da Mulher elege primeira presidente trans

Erika Hilton (Psol-SP) assume a liderança do colegiado com 11 votos, tornando-se a primeira mulher trans a ocupar o cargo na história da Câmara.

12/03/2026 às 16:07
Por: Redação

A Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados elegeu, nesta quarta-feira (11) de março de 2026, a deputada Erika Hilton (Psol-SP) para presidir o colegiado neste ano. A parlamentar recebeu 11 votos favoráveis, em contraste com dez votos em branco, assumindo um papel histórico. Erika Hilton substitui a deputada Célia Xakriabá (Psol-MG) no comando da comissão, marcando uma transição importante.

 

Em seu discurso de posse, Erika Hilton ressaltou ser a primeira mulher trans a presidir a comissão, um marco significativo para a representatividade no cenário político nacional. A nova presidente afirmou que sua gestão será pautada pelo diálogo e pela defesa intransigente dos direitos de todas as mulheres. Ela prometeu uma condução inclusiva, focada nas diversas realidades femininas.

 

“Esta presidência não é apenas um nome, é o símbolo de uma democracia que se expande. Minha gestão tratará de todas as mulheres: das mães solo, das mulheres trabalhadoras, das mulheres negras, indígenas e das que lutam por sobrevivência e dignidade em todos os cantos deste país.”


Entre as prioridades delineadas pela nova presidente, destacam-se ações cruciais para o avanço da pauta feminina no Congresso Nacional. A gestão de Erika Hilton visa fiscalizar rigorosamente a rede de proteção e as importantes Casas da Mulher Brasileira, além de intensificar o enfrentamento à violência política de gênero. Também será foco a promoção de políticas de saúde integral, garantindo bem-estar completo para as mulheres.

 

Críticas da Oposição à Eleição

Deputadas de oposição lamentaram a eleição de Erika Hilton e afirmaram que a comissão deveria ser presidida por uma mulher cisgênero. Elas manifestaram publicamente seu descontentamento com a escolha e criticaram o que denominaram de “ideologização” dos trabalhos do colegiado. As parlamentares levantaram questionamentos sobre a legitimidade da presidência, gerando controvérsia.

 

A deputada Chris Tonietto (PL-RJ) expressou sua discordância de forma veemente, afirmando que “Não podemos concordar com a entrega desta comissão”. Para ela, o colegiado, que deveria zelar pela dignidade da mulher, da vida e da família, estaria agora entregue a uma pauta que, em sua visão, “desvirtua a própria essência feminina”, gerando controvérsia no debate.

 

Corroborando as críticas, a deputada Clarissa Tércio (PP-PE) declarou que a presidência da comissão deveria ser ocupada por uma “mulher de fato”, gerando um intenso debate sobre identidade e representação. Para a parlamentar, a eleição de Erika Hilton simboliza um retrocesso para a pauta feminina e uma afronta aos valores conservadores que ela e seu segmento político defendem na Câmara.

 

"Nós não podemos nos calar diante do que estamos vendo. Esta comissão é das mulheres, e nós queremos ser representadas por mulheres de verdade, que entendem a nossa natureza e os nossos desafios biológicos."


 

Defesa da Pluralidade e Inclusão

Em contraponto às críticas, a deputada Laura Carneiro, eleita 1ª vice-presidente da Comissão, enfatizou a importância de manter o foco no bem-estar e na vida das mulheres brasileiras. Ela salientou que o trabalho do colegiado deve transcender as ideologias partidárias, priorizando a dignidade e os direitos de todas, independentemente de posicionamentos específicos. Sua fala buscou unificar a comissão.

 

"Esta comissão tem uma história de muitas lutas e conquistas. Como vice-presidente, meu compromisso é trabalhar ao lado da presidência e de todas as colegas para que o nosso foco seja um só: o direito e a dignidade de cada mulher deste País."


 

A deputada Erika Kokay (PT-DF) destacou a instalação do colegiado como um momento de resistência. Ela defendeu a legitimidade da presidência eleita e criticou as tentativas de interditar o debate por meio de preconceitos. A parlamentar reafirmou o compromisso da comissão com a inclusão e enfatizou a importância de acolher a diversidade feminina, contrariando discursos de exclusão.

 

Para a deputada, a comissão deve consolidar-se como um espaço que acolha a diversidade de todas as mulheres brasileiras, sem quaisquer exclusões. Ela reiterou: "Nós não vamos aceitar que esta Casa seja palco para o ódio." A parlamentar reforçou que a comissão trabalhará incessantemente pela vida, pela igualdade e, sobretudo, para que o Estado Brasileiro cumpra seu papel protetivo aos mais vulneráveis.

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