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Concerto no Glauce Rocha integra música sacra, artes visuais e memória luso-brasileira

Evento reúne Camerata da UFMS, Coro Cantarte, solistas e Santiago Belácqua com entrada gratuita em Campo Grande

27/03/2026 às 18:30
Por: Redação

No dia 30 de março, Campo Grande será palco de uma proposta artística que abrange diferentes séculos, países e linguagens. O Teatro Glauce Rocha, a partir das 20 horas, receberá o evento que une a Camerata Madeiras Dedilhadas da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), o Coro Lírico Cantarte, solistas convidados e o artista plástico português Santiago Belácqua, em uma apresentação com acesso gratuito ao público.

 

Esse evento faz parte do projeto Catedral Erudita, promovido pela Secretaria de Estado de Turismo, Esporte e Cultura de Mato Grosso do Sul (Setesc), cujo objetivo é promover e valorizar a música de concerto. Essa realização ocorre através da UFMS, com recursos provenientes de emenda parlamentar do deputado Vander Loubet, em uma parceria com a Academia Feminina de Letras e Artes de Mato Grosso do Sul (AFLAMS).

 

O concerto traz uma proposta que reúne música sacra, artes visuais e a valorização da memória cultural, aproximando Brasil e Portugal por meio de um repertório que abrange obras do século XVI ao XIX, todas inspiradas na Semana Santa. A música executada no palco dialoga com a exposição "Stabat Mater", formada por cerca de cem telas de Santiago Belácqua, o que proporciona uma vivência sensorial em que imagem, som e religiosidade se unem.

 

Com direção artística do professor doutor Marcelo Fernandes, o programa foi elaborado para demonstrar as relações entre a tradição musical portuguesa, principalmente das épocas do Renascimento e Barroco, e o desenvolvimento da música clássica no Brasil.

 

“A curadoria pensou nesse momento em que Portugal era uma grande referência cultural e musical, e depois no nascimento da música clássica brasileira, especialmente em Minas Gerais e no Rio de Janeiro. É possível perceber movimentos muito importantes nesses dois contextos”, explica o regente.

 

O maestro também ressalta a importância histórica desse legado musical:

 

“O Brasil tem a maior tradição de música clássica das Américas. O que falta é que ela seja mais celebrada e conhecida”.

 

Narrativa sonora e visual da Semana Santa

A estrutura do concerto acompanha simbolicamente os episódios da Semana Santa, conduzindo o público da celebração para o sofrimento, e do sofrimento para a luz. O início da apresentação é marcado por "Dominica in Palmis", de Lobo de Mesquita, que remete à entrada triunfal de Jesus em Jerusalém. Em seguida, a apresentação segue com composições do Padre José Maurício Nunes Garcia, conferindo uma dimensão dramática ao espetáculo.

 

O repertório também contempla obras de mestres portugueses, incluindo Francisco Martins, Duarte Lobo e Diego Melgás, além de clássicos de Bach, Mozart e Haendel, que encerram o evento em clima de transcendência.

 

No segmento visual, a exposição acompanha esse mesmo percurso simbólico. O professor Marcelo Fernandes destaca que as pinturas refletem a jornada do concerto, indo da luz à dor e retornando à luz, trazendo cor e vida a um período frequentemente associado a tons sombrios.

 

“O concerto começa luminoso, passa pela dor e termina novamente na luz. As pinturas seguem esse caminho e trazem cor a um momento muitas vezes visto como sombrio”, destaca Marcelo Fernandes.

 

Para Santiago Belácqua, suas telas dialogam com a espiritualidade e experiências humanas:

 

“Minha obra caracteriza vivências de seres humanos, com forte presença da arte sacra. ‘Stabat Mater’ conta e canta a mais bela história do mundo: Jesus Cristo e a Mãe”.

 

Adaptações musicais e participação de artistas locais

Um dos principais destaques da programação é a execução do “Miserere”, de Padre José Maurício, em uma adaptação criada por Marcelo Fernandes especialmente para a formação instrumental da Camerata. A peça, originalmente escrita para vozes e órgão, ganha uma nova sonoridade por meio do uso de violões, instrumentos de madeira e solistas convidados.

 

“O desafio foi preservar o caráter inovador da obra, adaptando-a para outra formação. É como repintar uma obra já existente, com outra sonoridade, mas fiel à intenção original”, explica o regente.

 

O maestro também ressalta a excelência dos integrantes do grupo, destacando que a Camerata é composta por músicos de elite de Campo Grande, reconhecidos por sua alta qualidade artística.

 

Ampliação do acesso à música de concerto

Com duração aproximada de 35 minutos, o concerto faz parte das ações do projeto Catedral Erudita, que visa promover apresentações em igrejas de Campo Grande e em outros municípios de Mato Grosso do Sul. O intuito é aumentar o acesso da população à música de concerto e fortalecer a identidade cultural do estado.

 

A apresentação contará, além da Camerata Madeiras Dedilhadas da UFMS, com os solistas Angélica Jado, Eliseba Manhães, Ana Lucia Gaborim, Erik Vinicius e Isaque Ferraz. Também participam o Coro Lírico Cantarte, sob regência de Edineide Dias, e o professor Geraldo Vicente Martins, responsável pela declamação durante o espetáculo.

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