Sábado, 18 de Abril de 2026
LogoSite 2 - BH Notícias hmlg 2

Porto Alegre do Norte sedia seminário após resgate de 563 vítimas

O evento de quatro dias, realizado pela Sesp e Coetrae-MT, discute direitos humanos e participação popular no combate à exploração.

18/04/2026 às 21:07
Por: Redação

Porto Alegre do Norte, localizada a 1.125 quilômetros de Cuiabá, é o cenário de um importante evento focado no combate ao trabalho escravo. A escolha do município para sediar o Seminário Regional Araguaia – Trabalho Escravo, Direitos Humanos e Participação Popular, entre os dias 16 e 19 de abril, deve-se a um incidente marcante ocorrido no ano passado, quando 563 pessoas foram resgatadas de uma situação análoga à escravidão em uma obra de usina de etanol na região.

 

O encontro é uma iniciativa conjunta da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp) e da Comissão Estadual para Erradicação do Trabalho Escravo (Coetrae-MT). O objetivo principal é fortalecer as ações contra essa forma de exploração, envolvendo a comunidade e diversos setores da sociedade.

 

Márcia Ourives, presidente da Coetrae-MT, explicou que a realização do seminário em Porto Alegre do Norte é uma resposta direta ao expressivo número de trabalhadores resgatados anteriormente. A intenção é promover um ambiente de troca e capacitação para aqueles que atuam na defesa dos direitos humanos e na gestão pública.

 

O diálogo e a participação social são pilares fundamentais para a construção de uma política pública exitosa. O enfrentamento ao trabalho escravo não é diferente. Estamos aqui para dialogar e capacitar agentes e lideranças de direitos humanos, além de gestores públicos e autoridades competentes, que são atores importantes para o combate ao trabalho escravo em Mato Grosso.

 

Início das Atividades e Engajamento Comunitário

 

A programação do seminário teve início na tarde da última quinta-feira, dia 16 de abril, com uma visita técnica a uma cooperativa local de catadores de materiais recicláveis. Essa ação focou na prevenção de situações de trabalho análogo à escravidão.

 

No período noturno, as atividades se estenderam à Escola Estadual Alexandre Quirino de Souza, onde foram realizadas palestras educativas e apresentações para os estudantes do Ensino de Jovens e Adultos (EJA). Os participantes tiveram a oportunidade de aprofundar seus conhecimentos sobre a realidade do trabalho escravo e aprender sobre os mecanismos de denúncia e busca por direitos.

 

Matheus de Carvalho, um estudante de 19 anos que participou das apresentações, expressou a importância da iniciativa. Para ele, a presença do Coetrae na escola foi crucial para uma nova compreensão do tema.

 

A vinda do Coetrae nos trouxe uma nova visão sobre o trabalho escravo, muito importante para os jovens da nossa idade que estão terminando os estudos e entrando no mercado de trabalho, para não nos tornarmos vítimas desse tipo de crime.

 

Ruth Maria, também com 19 anos, destacou que a informação não beneficia apenas os jovens que iniciam suas jornadas profissionais, mas também é vital para alertar os membros da própria família que, muitas vezes, não possuem acesso a esse tipo de conhecimento.

 

Além de ser importante para nós que estamos começando a trabalhar, essa informação é muito importante para nossa família, pois muitos não têm essa informação e não conhecem o que é estar refém do trabalho escravo, porque, sem ajuda, não conseguem sair.

 

As ações do seminário prosseguem ao longo desta sexta-feira, sábado e domingo, com uma agenda que inclui visitas técnicas adicionais, encontros com autoridades locais, mais palestras informativas e mesas-redondas para aprofundar o debate sobre o tema do trabalho escravo no município.

© Copyright 2025 - Site 2 - BH Notícias hmlg 2 - Todos os direitos reservados