O Conselho Presidencial de Transição (CPT) do Haiti encerrou formalmente seu mandato de dois anos neste sábado, 7 de fevereiro de 2026, após pressões dos Estados Unidos. Os EUA ameaçaram intervir no Haiti caso a continuidade do gabinete do primeiro-ministro Alix Didier Fils-Aimé não fosse assegurada.
Durante uma cerimônia em Porto Príncipe, o presidente do CPT, Laurent Saint-Cyr, destacou que o conselho se retira sem deixar o país em um vazio de poder. "O Conselho dos Ministros, sob a direção do primeiro-ministro [Didier Fils-Aimé], vai garantir a continuidade", afirmou Saint-Cyr.
Às vésperas de encerrar o mandato, o CPT havia anunciado a intenção de destituir Alix Didier Fils-Aimé, uma medida que levou o governo de Donald Trump a enviar três navios de guerra à Baía de Porto Príncipe. Este movimento visava garantir que Fils-Aimé permanecesse no cargo até as eleições planejadas para ocorrer entre outubro e novembro.
“Sob a direção do Secretário de Guerra, o USS Stockdale, USCGC Stone, e USCGC Diligence chegaram a Porto Príncipe como parte da Operação Lança do Sul,” informou a embaixada dos EUA no Haiti. “A presença deles reflete o compromisso inabalável dos EUA com a segurança, a estabilidade e um futuro melhor para o Haiti.”
Washington alertou que mudanças no governo seriam vistas como uma ameaça à estabilidade regional, sugerindo medidas adequadas em resposta.
Desde 2016, o Haiti não realiza eleições. Em abril de 2024, o CPT assumiu sua função após a renúncia do então primeiro-ministro Ariel Henry, que assumiu após o assassinato do presidente Jovenel Moïse em julho de 2021.
Ricardo Seitenfus, especialista brasileiro em Haiti, afirmou à Agência Brasil que o CPT tentou remover Fils-Aimé antes do término de seu mandato para nomear um novo líder. "Eles quiseram dar um golpe para tirá-lo," disse Seitenfus, que esteve recentemente no Haiti.
Seitenfus destacou melhorias na segurança, observando a retomada de territórios antes controlados por gangues.
Como parte das medidas para estabilizar o país, desde o assassinato de Moïse, o governo haitiano tem buscado parcerias internacionais. Recentemente, um acordo foi feito com forças policiais do Quênia para auxiliar a segurança nacional. A ONU também aprovou a criação de uma força de repressão a gangues, reforçando a missão anterior liderada pelo Quênia.
*Com colaboração da jornalista Thaís de Luna