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Conselho de Transição do Haiti encerra mandato sob pressão dos EUA

Decisão ocorre após ameaças de intervenção por parte dos Estados Unidos para garantir continuidade do governo de Alix Didier Fils-Aimé.

08/02/2026 às 16:06
Por: Redação

O Conselho Presidencial de Transição (CPT) do Haiti encerrou formalmente seu mandato de dois anos neste sábado, 7 de fevereiro de 2026, após pressões dos Estados Unidos. Os EUA ameaçaram intervir no Haiti caso a continuidade do gabinete do primeiro-ministro Alix Didier Fils-Aimé não fosse assegurada.

 

Durante uma cerimônia em Porto Príncipe, o presidente do CPT, Laurent Saint-Cyr, destacou que o conselho se retira sem deixar o país em um vazio de poder. "O Conselho dos Ministros, sob a direção do primeiro-ministro [Didier Fils-Aimé], vai garantir a continuidade", afirmou Saint-Cyr.

 

Ação dos Estados Unidos

 

Às vésperas de encerrar o mandato, o CPT havia anunciado a intenção de destituir Alix Didier Fils-Aimé, uma medida que levou o governo de Donald Trump a enviar três navios de guerra à Baía de Porto Príncipe. Este movimento visava garantir que Fils-Aimé permanecesse no cargo até as eleições planejadas para ocorrer entre outubro e novembro.


“Sob a direção do Secretário de Guerra, o USS Stockdale, USCGC Stone, e USCGC Diligence chegaram a Porto Príncipe como parte da Operação Lança do Sul,” informou a embaixada dos EUA no Haiti. “A presença deles reflete o compromisso inabalável dos EUA com a segurança, a estabilidade e um futuro melhor para o Haiti.”


Washington alertou que mudanças no governo seriam vistas como uma ameaça à estabilidade regional, sugerindo medidas adequadas em resposta.

 

Complexo cenário político

 

Desde 2016, o Haiti não realiza eleições. Em abril de 2024, o CPT assumiu sua função após a renúncia do então primeiro-ministro Ariel Henry, que assumiu após o assassinato do presidente Jovenel Moïse em julho de 2021.

 

Ricardo Seitenfus, especialista brasileiro em Haiti, afirmou à Agência Brasil que o CPT tentou remover Fils-Aimé antes do término de seu mandato para nomear um novo líder. "Eles quiseram dar um golpe para tirá-lo," disse Seitenfus, que esteve recentemente no Haiti.

 

Seitenfus destacou melhorias na segurança, observando a retomada de territórios antes controlados por gangues.

 

Situação de segurança

 

Como parte das medidas para estabilizar o país, desde o assassinato de Moïse, o governo haitiano tem buscado parcerias internacionais. Recentemente, um acordo foi feito com forças policiais do Quênia para auxiliar a segurança nacional. A ONU também aprovou a criação de uma força de repressão a gangues, reforçando a missão anterior liderada pelo Quênia.

 

*Com colaboração da jornalista Thaís de Luna

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