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Crianças continuam morrendo em Gaza após início de cessar-fogo

Mesmo com trégua, mais de 100 crianças perderam a vida em operações na Faixa de Gaza

14/01/2026 às 16:06
Por: Redação

O conflito na Faixa de Gaza tem resultado em fatalidades infantis contínuas, mesmo após um cessar-fogo declarado em outubro do ano passado. Desde então, mais de 100 crianças foram mortas devido a bombardeios e tiroteios israelenses. Este dado chocante foi divulgado pelo porta-voz do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), James Elder, que alertou sobre a frequência diária de mortes de meninos e meninas na região.

 

O cessar-fogo, estabelecido em 9 de outubro com a mediação dos Estados Unidos, foi acordado entre o governo de Tel Aviv e o Hamas. Contudo, Elder destaca que, desde então, o Unicef registrou relatos de pelo menos 60 meninos e 40 meninas mortos. Esse número, que reflete apenas casos com detalhes suficientes para serem documentados, sugere que a realidade pode ser ainda mais trágica. O conflito tem deixado também centenas de crianças feridas na região.

 

Testemunhos chocantes

Falando diretamente de Gaza, o representante do Unicef relatou ao lado de Abid Al Rahman, um menino de nove anos ferido por estilhaços de bomba em Khan Younis. O menino descreveu como foi atingido enquanto coletava lenha, resultando em graves lesões oculares que comprometeram sua visão.


Abid relatou: “Eu estava colhendo lenha e plásticos quando um míssil caiu perto de mim e um estilhaço grosso voou direto para o meu olho. Agora não consigo mais enxergar com meu olho”.


A situação agravante inclui severas restrições à entrada de suprimentos vitais na região, como medicamentos, gás de cozinha, combustível e peças para a manutenção de sistemas básicos como água e esgoto. Apesar disso, a engenhosidade local tem possibilitado avanços em serviços de saúde, mesmo sem novas peças de reposição, de acordo com as declarações da ONU.

 

Obstáculos humanitários

Em dezembro, Israel aprovou uma legislação que proíbe a atuação de 37 organizações humanitárias, incluindo a Médicos Sem Fronteiras, na Faixa de Gaza. Esta ação, segundo o governo israelense, deve-se à recusa das organizações em fornecer dados sobre seus funcionários palestinos.


A organização Médicos Sem Fronteiras expressou preocupações sobre tal exigência, citando riscos à privacidade e segurança de seus colaboradores, especialmente após a morte de 15 membros da equipe pelas forças israelenses.


Além disso, Israel cortou o fornecimento de água, eletricidade e comunicações para essas entidades, incluindo a Agência da ONU para Refugiados Palestinos. O secretário-geral da ONU, António Guterres, criticou essas medidas, alertando sobre possíveis ações na Corte Internacional de Justiça.

 

O comissário-geral da UNRWA, Philippe Lazzarini, condenou as restrições como um padrão alarmante de violação dos direitos humanitários e obstruções aos esforços de ajuda. As tensões aumentam com acusações mútuas entre Israel e a ONU, relative a supostos envolvimentos com o terrorismo, enquanto detalhes concretos ainda estão sob investigação.

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