Domingo, 29 de Março de 2026
LogoSite 2 - BH Notícias hmlg 2

Embaixador Brasileiro no Irã Avalia Conflitos e Solidez do Regime

André Veras destaca os desafios de uma ação militar e a resiliência do Irã após ataques estrangeiros

09/03/2026 às 17:20
Por: Redação

O embaixador do Brasil no Irã, André Veras, considera que a derrubada do regime islâmico por forças militares estrangeiras seria uma tarefa "hercúlea e sangrenta". Veras destaca que tal ação resultaria em perdas econômicas globais significativas.

 

Durante uma entrevista ao jornalista José Luiz Datena, no programa Alô Alô Brasil, transmitido pela Rádio Nacional nesta segunda-feira, dia 9 de março de 2026, Veras afirmou que ataques aéreos isolados não seriam suficientes para mudar o regime iraniano ou acabar com o conflito atual.

 

Avaliação do Conflito

O embaixador ilustra as dificuldades que tropas estrangeiras enfrentariam em uma intervenção terrestre, mencionando o terreno montanhoso do Irã e sua capacidade militar ofensiva. Segundo ele, a situação no Irã difere significativamente de cenários enfrentados anteriormente pelos EUA em outras regiões.


"Então, aqui, a coisa vai exigir um pouco mais de esforço se quiserem realmente derrubar o regime; será uma tarefa hercúlea", disse Veras.


Dez dias após o início dos ataques aéreos por EUA e Israel, com alvo no território iraniano e resultando na morte do aiatolá Ali Khamenei, os serviços básicos no Irã seguem operacionais. A população mantém a rotina, mostrando resiliência apesar das pressões.

 

"O comércio está aberto, as escolas funcionam remotamente e os mercados permanecem abastecidos. Entretanto, a gasolina está racionada devido a desafios internos de refino", completou Veras.

 

Transição de Poder no Irã

Após a morte de Khamenei, seu filho, Seyyed Mojtaba Khamenei, foi rapidamente escolhido como líder supremo pelo Assembleia dos Especialistas. Veras acredita que a escolha pode intensificar críticas internas ao regime iraniano, frente aos protestos por melhorias econômicas e políticas.


"A revolução islâmica foi feita contra um regime hereditário. Agora, com Seyyed no poder, surgem dúvidas se de fato algo mudou", ponderou o embaixador.


Veras ressaltou que Seyyed sempre teve laços estreitos com a Guarda Revolucionária e clérigos conservadores, ampliando o clima de contestação.

 

"Ele representa uma resposta dura do Estado, tanto à insatisfação interna quanto às críticas internacionais", afirmou Veras.

 

Possibilidades de Negociação

Embora não tenha havido necessidade de operações para retirar brasileiros do Irã, Veras mantém diálogo constante com o Itamaraty para monitorar a situação. Ele não descarta uma solução diplomática que possa levar ao fim das sanções econômicas impostas pelos EUA.


"Mesmo que alguns pensem que o controle do petróleo beneficie algumas nações, em um cenário globalizado, todos perdem com a guerra", alertou o embaixador.


Para Veras, a crescente pressão econômica pode abrir espaço para negociações que tragam racionalidade ao conflito e favoreçam a paz.

© Copyright 2025 - Site 2 - BH Notícias hmlg 2 - Todos os direitos reservados