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Enfermeira é presa em Cuiabá por exercício ilegal da medicina em clínica

Investigação revela que profissional oferecia tratamentos invasivos e usava produtos sem registro, colocando pacientes em risco.

26/04/2026 às 02:05
Por: Redação

Uma enfermeira de 38 anos foi detida preventivamente em Cuiabá na manhã da última sexta-feira, 24 de abril de 2026, sob acusação de exercício ilegal da medicina e crimes contra a saúde pública. A profissional, que é proprietária de uma clínica de estética situada no bairro Jardim Europa, é investigada pela comercialização e uso de medicamentos sem a devida autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

 

A Delegacia Especializada de Defesa do Consumidor (Decon) iniciou a apuração após receber uma denúncia da Vigilância Sanitária Municipal de Cuiabá, que alertava para graves irregularidades nos procedimentos realizados no estabelecimento.

 

Durante a fiscalização conjunta, foram identificadas diversas infrações sanitárias. A enfermeira estava executando procedimentos estéticos invasivos que são de competência exclusiva de médicos, como a aplicação de Plasma Rico em Plaquetas (PRP), ozonioterapia e soroterapia. Além disso, as autoridades encontraram na clínica medicamentos vencidos, produtos de origem estrangeira sem registro no Brasil e substâncias proibidas pela Anvisa, incluindo toxina botulínica de fabricação sul-coreana e outros fármacos utilizados de forma inadequada. Os produtos estavam armazenados em condições impróprias, sem qualquer controle sanitário, e parte deles teria sido importada ilegalmente.

 

Clínica clandestina colocava pacientes em risco

 

O delegado Rogério Ferreira, titular da Decon, ressaltou as condições precárias do local.

 

As fiscalizações também evidenciaram que a clínica funcionava sem alvará sanitário, sem controle adequado de resíduos e sem condições mínimas de biossegurança, expondo pacientes a riscos de contaminação por doenças graves.

Ferreira detalhou que a manipulação de sangue em um ambiente inadequado, especialmente durante os procedimentos de PRP, elevava consideravelmente o risco de contaminação cruzada, infecções severas, necroses e até mesmo a morte dos pacientes.

 

Mesmo após a interdição do estabelecimento pela Vigilância Sanitária, a investigada teria persistido em suas atividades de forma clandestina. Ela teria removido equipamentos do local interditado durante a noite e passado a atender seus pacientes em outros endereços, incluindo clínicas não regularizadas. Há também indícios de que ela tentou abrir uma nova unidade, com outro nome, também no Jardim Europa, sem a devida autorização dos órgãos competentes.

 

As investigações também revelaram que a enfermeira se apresentava nas redes sociais como “Dra.”, divulgando procedimentos invasivos em áreas como rosto, glúteos e seios. Ela atraía pacientes por meio de pagamentos antecipados via Pix, sem possuir qualquer habilitação médica para realizar tais práticas.

 

Medidas cautelares e histórico criminal

 

A prisão preventiva foi decretada pelo Poder Judiciário a pedido do delegado da Decon, e diversas medidas cautelares foram determinadas. Entre elas, estão o cumprimento de mandado de busca e apreensão, a interdição imediata da clínica de estética, a suspensão do registro da empresa no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), a suspensão das redes sociais da investigada e a suspensão de seu registro profissional junto ao Conselho Regional de Enfermagem de Mato Grosso (Coren-MT).

 

A investigada já possuía um histórico criminal, com passagem pela polícia por tráfico de drogas, e estava utilizando tornozeleira eletrônica no momento de sua prisão em 24 de abril de 2026.

 

O delegado Rogério Ferreira informou que as investigações prosseguem. Outros profissionais do setor de estética que estejam praticando o exercício ilegal da medicina ou comercializando medicamentos irregulares, em especial produtos destinados ao emagrecimento, podem ser alvo de futuras operações policiais, com a possibilidade de representação por prisão preventiva.

 

Como denunciar irregularidades

 

A população pode realizar denúncias sobre exercício ilegal da medicina ou comercialização de medicamentos irregulares por meio do telefone 197, pela Delegacia Digital ou pessoalmente em qualquer delegacia de polícia.

 

É possível também contatar diretamente a Delegacia Especializada de Defesa do Consumidor – Decon, que está localizada na Rua General Otávio Neves, nº 69, bairro Duque de Caxias I, em Cuiabá. O atendimento ocorre de segunda a sexta-feira, em horário comercial, e denúncias também podem ser encaminhadas pelo e-mail decon@pjc.mt.gov.br.

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