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EUA endurecem sanções e intensificam impacto na economia iraniana

Estudos revelam que sanções dos EUA e ONU intensificam crise econômica no Irã

18/01/2026 às 16:08
Por: Redação

As recentes sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos têm impactado significativamente economias como a do Irã e da Venezuela. Essas medidas, que visam pressionar governos contrários à política externa norte-americana, são vistas como amplamente utilizadas para influenciar alterações de regimes.

 

No caso iraniano, além das sanções dos EUA, existem restrições aprovadas pelo Conselho de Segurança da ONU contra o programa nuclear de Teerã. A desvalorização significativa de 50% na moeda iraniana e uma inflação oficial atingindo 42% em 2025 têm instigado intensos protestos internos.

 

Efeitos das sanções econômicas

De acordo com Juliane Furno, economista da UERJ, as sanções, especialmente exacerbadas a partir de 2025 após um conflito com Israel, dificultam a entrada de dólares e limitam o Irã no sistema financeiro global. As sanções, que bloqueiam ativos e transações internacionais, também punem empresas com investimentos significativos no setor energético iraniano.


Essas restrições promovem a desvalorização do rial, levando a uma alta da inflação e deterioração das condições de vida, destacou Furno.


Narrativamente, o Irã, apesar de possuir a terceira maior reserva de petróleo, continua dependente das exportações dessa commodity, contrastando com a dependência mais acentuada da Venezuela.

 

Indústria petroleira sob pressão

A especialista da ONU, Alena Douhan, enfatiza como as sanções comprometem o desempenho iraniano, afetando diretamente o setor de energia, crucial para a economia do país. Ela aponta que entre 2016 e 2018, o relaxamento das sanções permitiu que o Irã aumentasse significativamente suas exportações de petróleo.


Com o retorno das restrições dos EUA em 2019, as exportações caíram drasticamente, disse Douhan.


Douhan advoga pela suspensão das sanções dadas suas implicações sociais, apontando para o aumento da pobreza e desigualdades sociais resultantes.

 

Impactos na inflação e saúde

Alena Douhan observou que, com a imposição das sanções, preços no Irã subiram cerca de 85%, especialmente afetando alimentos. A publicação científica The Lancet destacou que essas restrições perturbam o acesso a medicamentos essenciais, incrementando preços de tratamentos vitais.


As sanções impactaram a disponibilidade de medicamentos essenciais, afetando milhões que dependem de tratamentos de alta qualidade, assinalou a revista.


Já um estudo da European Journal of Political Economy revela que, entre 2012 e 2019, a classe média iraniana diminuiu substancialmente devido a essas restrições.

 

Sanções sob análise crítica

Nos EUA, as sanções são justificadas pelo governo como medidas contra alegações de violação de direitos humanos e apoio ao terrorismo. A intenção seria impulsionar o desmantelamento do programa nuclear iraniano, supostamente para fins pacíficos.


Críticos argumentam que essas justificativas são manobras para minar lideranças regionais opostas ao Ocidente, como destacou o cientista político Bruno Lima Rocha.


Rocha ainda levanta dúvidas sobre a real preocupação dos EUA com a democracia, citando inconsistências em suas posturas frente a regimes no Oriente Médio.

 

Consequências globais das sanções

Pesquisas recentes indicam que as sanções têm efeitos comparáveis a conflitos armados. Segundo publicação da revista The Lancet Global Health, elas são responsáveis por cerca de 560 mil mortes anuais, evidenciando um impacto similar ao de guerras.

A revista Development Studies também aponta que sanções podem reduzir a expectativa de vida em até 1,4 anos, além de impactar severamente populações femininas e infantis nas regiões afetadas.

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