As recentes sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos têm impactado significativamente economias como a do Irã e da Venezuela. Essas medidas, que visam pressionar governos contrários à política externa norte-americana, são vistas como amplamente utilizadas para influenciar alterações de regimes.
No caso iraniano, além das sanções dos EUA, existem restrições aprovadas pelo Conselho de Segurança da ONU contra o programa nuclear de Teerã. A desvalorização significativa de 50% na moeda iraniana e uma inflação oficial atingindo 42% em 2025 têm instigado intensos protestos internos.
De acordo com Juliane Furno, economista da UERJ, as sanções, especialmente exacerbadas a partir de 2025 após um conflito com Israel, dificultam a entrada de dólares e limitam o Irã no sistema financeiro global. As sanções, que bloqueiam ativos e transações internacionais, também punem empresas com investimentos significativos no setor energético iraniano.
Essas restrições promovem a desvalorização do rial, levando a uma alta da inflação e deterioração das condições de vida, destacou Furno.
Narrativamente, o Irã, apesar de possuir a terceira maior reserva de petróleo, continua dependente das exportações dessa commodity, contrastando com a dependência mais acentuada da Venezuela.
A especialista da ONU, Alena Douhan, enfatiza como as sanções comprometem o desempenho iraniano, afetando diretamente o setor de energia, crucial para a economia do país. Ela aponta que entre 2016 e 2018, o relaxamento das sanções permitiu que o Irã aumentasse significativamente suas exportações de petróleo.
Com o retorno das restrições dos EUA em 2019, as exportações caíram drasticamente, disse Douhan.
Douhan advoga pela suspensão das sanções dadas suas implicações sociais, apontando para o aumento da pobreza e desigualdades sociais resultantes.
Alena Douhan observou que, com a imposição das sanções, preços no Irã subiram cerca de 85%, especialmente afetando alimentos. A publicação científica The Lancet destacou que essas restrições perturbam o acesso a medicamentos essenciais, incrementando preços de tratamentos vitais.
As sanções impactaram a disponibilidade de medicamentos essenciais, afetando milhões que dependem de tratamentos de alta qualidade, assinalou a revista.
Já um estudo da European Journal of Political Economy revela que, entre 2012 e 2019, a classe média iraniana diminuiu substancialmente devido a essas restrições.
Nos EUA, as sanções são justificadas pelo governo como medidas contra alegações de violação de direitos humanos e apoio ao terrorismo. A intenção seria impulsionar o desmantelamento do programa nuclear iraniano, supostamente para fins pacíficos.
Críticos argumentam que essas justificativas são manobras para minar lideranças regionais opostas ao Ocidente, como destacou o cientista político Bruno Lima Rocha.
Rocha ainda levanta dúvidas sobre a real preocupação dos EUA com a democracia, citando inconsistências em suas posturas frente a regimes no Oriente Médio.
Pesquisas recentes indicam que as sanções têm efeitos comparáveis a conflitos armados. Segundo publicação da revista The Lancet Global Health, elas são responsáveis por cerca de 560 mil mortes anuais, evidenciando um impacto similar ao de guerras.
A revista Development Studies também aponta que sanções podem reduzir a expectativa de vida em até 1,4 anos, além de impactar severamente populações femininas e infantis nas regiões afetadas.