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Governadores não têm controle total sobre as polícias, aponta especialista

Operação policial no Rio de Janeiro destaca limites de controle dos governadores sobre forças de segurança

07/02/2026 às 16:06
Por: Redação

Poucos dias após completar três meses, a operação policial mais letal da história do Brasil ganhou atenção com o alerta feito pela Human Rights Watch. A organização destacou que o uso indiscriminado da força letal pela polícia gera mais violência e insegurança no país.

 

De janeiro a novembro de 2025, as forças policiais mataram 5.920 pessoas no Brasil. O episódio mais mortífero foi a Operação Contenção, no Rio de Janeiro, em 28 de outubro de 2025, resultando em 122 mortes, incluindo a de cinco policiais.

 

Carolina Grillo, especialista em conflitos e crimes e professora da Universidade Federal Fluminense (UFF), critica o empobrecimento do debate sobre segurança pública no Brasil, onde práticas ineficazes continuam a ser utilizadas sem resultados duradouros.

 

A pesquisadora aponta que estados como Bahia e São Paulo estão replicando o modelo das polícias do Rio de Janeiro, piorando a segurança pública. Essa reprodução agrava a impunidade e aumenta a letalidade policial.

 

“Em nenhum estado se pode dizer que o governador possui efetivo controle das forças de segurança. As instituições policiais possuem autonomia considerável”, afirma a especialista.


Em entrevista, Grillo observa que a segurança pública tem surgido como a principal preocupação da população, superando questões como desigualdade e saúde, especialmente em ano eleitoral.

 

Falta de controle e operações midiáticas

Governadores carecem de controle pleno sobre as polícias, mas podem influenciar através de nomeações estratégicas. Muitos apoiam operações letais para capitalizar politicamente, uma vez que tais ações trazem retorno eleitoral devido à sensação pública de segurança.

 

Grillo critica a imprensa, destacando que a cobertura da Operação Contenção foi tendenciosa, refletindo mais o discurso governamental do que mostrando o massacre ocorrido.

 

“Há uma tendência de arquivamento de casos de mortes praticadas por policiais, com poucas investigações criteriosas sendo realizadas”, finaliza Grillo.

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