Um grupo de mulheres, familiares de presos políticos na Venezuela, iniciou uma greve de fome nos arredores de uma unidade policial em Caracas para exigir a libertação dos detidos. Até agora, elas completaram 96 horas nesta manifestação.
O protesto começou às 6h de sábado, 14 de fevereiro de 2026, com dez mulheres partindo para esta medida extrema. Uma das manifestantes desmaiou na segunda-feira e precisou ser levada a um hospital em um táxi, devido à indisponibilidade de ambulâncias.
A ação é parte da campanha do Comitê pela Liberdade dos Presos Políticos, organização não-governamental representada por Diego Casanova, que defende os direitos dos detidos e denuncia a repressão governamental.
Nas redes sociais, a ONG alertou sobre o perigo iminente que estas mulheres enfrentam devido à indiferença do Estado. As condições dentro da delegacia da Polícia Nacional Bolivariana, conhecida como Zona 7, são preocupantes, conforme o relato das manifestantes.
A greve de fome dos próprios detidos foi iniciada na sexta-feira, 13 de fevereiro, e já dura mais de 120 horas. Segundo a ONG, a entrada de soro tem sido bloqueada pelos policiais, sem justificativa.
A indiferença das autoridades agrava a situação dessas mulheres e dos detidos, destacou a ONG.
No local, um cartaz e uma faixa grande servem como lembrete visual da demanda: "Liberdade para todos". As manifestantes, com idades entre 23 e 46 anos, deitam-se sobre colchões, resistindo nos arredores da zona prisional.
A greve foi motivada pelo não cumprimento das promessas pelo presidente do parlamento, Jorge Rodríguez. Em 6 de fevereiro, ele garantiu que todos os detidos seriam libertados com a aprovação da lei de anistia.
No sábado passado, 17 detidos foram libertados, conforme anunciou Rodríguez, mas essas ações ainda são insuficientes frente às expectativas geradas. A nova etapa política na Venezuela é marcada pela presidente Delcy Rodríguez, em um contexto de mudanças após a captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos.