Segunda, 30 de Março de 2026
LogoSite 2 - BH Notícias hmlg 2

Haddad critica classe dominante e lança livro em São Paulo

Ministro da Fazenda discute desigualdade e capitalismo em evento na capital paulista

08/02/2026 às 16:06
Por: Redação

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que a classe dominante brasileira entende o Estado como uma extensão de seus interesses, não como uma entidade coletiva. Haddad fez essas declarações durante o lançamento de seu livro Capitalismo Superindustrial em São Paulo, no Sesc 14 Bis.

 

O evento contou com a participação de Celso Rocha de Barros e mediação de Lilia Schwarcz. Durante o bate-papo, Haddad afirmou que o Estado foi entregue aos fazendeiros como indenização pela abolição da escravidão, lembrando que o movimento republicano começou em 14 de maio de 1888, logo após a assinatura da Lei Áurea.

 

“A classe dirigente foi substituída pelas mesmas elites, perpetuando um ciclo de poder e controle sobre o Estado”, destacou o ministro.


Haddad explicou que esse ‘acordão’, patrocinado pelas Forças Armadas, mantém a democracia brasileira frágil, pois toca na contestação do status quo. Ao tentar mudar, o risco de ruptura institucional é alto, conforme enfatizou.

 

No evento, o livro Capitalismo Superindustrial foi lançado, abordando temas como a desigualdade crescente, a acumulação de capital e a nova configuração das classes sociais. O ministro argumenta que, mesmo com mitigação estatal, a desigualdade tende a se agravar.

 

“Quando a dinâmica é deixada à própria sorte, resulta em desigualdade absoluta e promove contradições sociais”, afirmou Haddad.


A obra é uma compilação de estudos de Haddad sobre economia política e a ascensão da China, revistos e ampliados, destacando os desafios e oportunidades da globalização atual, especialmente no contexto oriental.

 

Processos no Oriente

Ao discutir os processos no Oriente, Haddad apontou para revoluções antissistêmicas que, diferentemente da América e Europa, tiveram propósitos industrializantes, mesmo que através de métodos coercitivos e violentos.

 

“Essas revoluções tiveram uma potência ideológica que buscava liberdade nacional ao invés de emancipação humana”, explicou o ministro.


Segundo Haddad, esses processos avançaram produtivamente, mas falharam em atingir alguns ideais revolucionários. Ele destaca as contradições inerentes ao desenvolvimento econômico observado.

© Copyright 2025 - Site 2 - BH Notícias hmlg 2 - Todos os direitos reservados