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Mata Atlântica torna-se exemplo de restauração florestal

Projeto na Bahia reduz tempo de recuperação de espécies em até 50%

21/02/2026 às 16:07
Por: Redação

Uma iniciativa de restauração da Mata Atlântica na Bahia obteve sucesso ao reduzir o tempo de crescimento das espécies em até 50%, recriando florestas mais resilientes às mudanças climáticas. Segundo Laura Guimarães, supervisora de melhoramento genético da Symbiosis, a estratégia teve início em 2014, com foco na seleção genética.

 

A empresa brasileira de reflorestamento recuperou 1.000 hectares do bioma, utilizando 45 espécies nativas como jacarandá e jequitibá, a partir de suas capacidades de adaptação. Mickael Mello, gerente do viveiro de mudas da Symbiosis, destaca a importância de indivíduos centenários para a diversidade genética.

 

“Muitas dessas matrizes são centenárias e extremamente adaptadas”, declarou Mello.


O projeto busca garantir variabilidade genética e minimizar riscos de homogeneização, segundo Guimarães. Estruturar florestas diversificadas é essencial para enfrentar desafios ambientais, promovendo populações mais estáveis.

 

Impactos e desafios

A Mata Atlântica, que cobria 130 milhões de hectares do Brasil, hoje mantém apenas 24% dessa cobertura. Rafael Bitante Fernandes, da Fundação SOS Mata Atlântica, ressalta que a fragmentação enfraquece a adaptação das espécies, aumentando sua vulnerabilidade.


“Sob pressão, populações se tornam mais suscetíveis a déficit hídrico e mudanças climáticas”, afirmou Fernandes.


Fernandes acrescenta que menos diversidade compromete serviços ecossistêmicos, afetando água, ar e alimentos, além de contribuir para extremos climáticos. Empresas privadas começam a ver a restauração florestal como investimento.

 

Iniciativas e modelos

O Pacto pela Restauração da Mata Atlântica, firmado em 2009, visa recuperar 15 milhões de hectares até 2050. A SOS Mata Atlântica identificou 4,9 milhões de hectares em regeneração entre 1993 e 2022, mas o desmatamento ainda persiste.

 

“É importante destacar que a restauração é um processo intencional”, explicou Fernandes.


Apesar dos avanços, 90% do território do bioma são áreas privadas. Boas políticas públicas e incentivos são necessários para escalonar a restauração. Fernandes acredita que o bioma pode gerar benefícios sociais significativos.

 

O movimento pela recuperação da Mata Atlântica está entre os principais modelos globais, tornando-se um carro-chefe para a restauração ambiental internacional.

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