Após mais de duas décadas de negociações, o Mercosul e a União Europeia (UE) se prepararão para oficializar um esperado acordo de livre comércio. A cerimônia de assinatura está agendada para este sábado (17) em Assunção, no Paraguai. Este tratado promete integrar economicamente cerca de 720 milhões de pessoas, somando os 450 milhões na UE e aproximadamente 295 milhões nos países do Mercosul.
Com aprovação da UE de forma expressiva, englobando os 27 países membros, o tratado será formalizado em um evento no teatro José Asunción Flores, do Banco Central paraguaio. Este local histórico é onde também foi assinado o Tratado de Assunção em 1991, que deu origem ao Mercosul.
A cerimônia acontecerá às 12h15, horário de Brasília, contando com a participação de lideranças dos países envolvidos. Entre os presentes estarão os presidentes da Argentina, Javier Milei; da Bolívia, Rodrigo Paz; do Paraguai, Santiago Peña; e do Uruguai, Yamandú Orsi. Do lado europeu, a presença de Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, e António Costa, presidente do Conselho Europeu, está confirmada.
O presidente Lula, devido a compromissos, não comparecerá e o Brasil será representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.
No dia anterior à cerimônia, Lula reuniu-se com Ursula e Costa, no Rio de Janeiro, para discutir os detalhes da implementação do acordo.
A assinatura do acordo encerra a longa fase de discussões iniciada em 1999, estabelecendo a eliminação gradual de tarifas para mais de 90% do comércio entre os blocos. O foco está em produtos industriais e agrícolas, com previsão de que os efeitos demorem a ser percebidos. O acordo deve passar ainda por aprovação do Parlamento Europeu e dos congressos dos países do Mercosul.
O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que o tratado poderá entrar em vigor no segundo semestre deste ano, após as devidas aprovações.
Apesar de celebrado por países e indústrias, o acordo enfrenta críticas, particularmente de agricultores europeus preocupados com a concorrência sul-americana e ambientalistas que levantam preocupações sobre impactos climáticos.
A ApexBrasil prevê que o acordo aumentará as exportações brasileiras em até 7 bilhões de dólares, promovendo a diversificação das vendas internacionais. No entanto, detalhamentos como a eliminação de tarifas e cotas protegerão produtos sensíveis, enquanto cláusulas ambientais visam garantir o respeito ao Acordo de Paris.
Marina Silva, ministra do Meio Ambiente, considera o acordo alinhado com os objetivos ambientais, assegurando desenvolvimento sustentável.
Em suma, o acordo comercia minimizará barreiras e promoverá avanços em setores como serviços financeiros e telecomunicações, além de melhorar a transparência em compras públicas e fortalecer a proteção à propriedade intelectual.