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Mato Grosso do Sul apresenta políticas de Saúde Única na COP-15 em Campo Grande

Estado mostra estratégias integradas de saúde e meio ambiente a especialistas de vários países durante conferência internacional

24/03/2026 às 17:01
Por: Redação

Mato Grosso do Sul foi destaque internacional ao apresentar projetos e políticas públicas de Saúde Única durante a 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação de Espécies Migratórias de Animais Selvagens (COP-15 CMS), realizada na última segunda-feira, dia 23, em Campo Grande. A Secretaria de Estado de Saúde (SES) participou do evento por meio da Coordenadoria de Saúde Única, demonstrando ações integradas adotadas em todo o território sul-mato-grossense.

 

A participação de Mato Grosso do Sul ocorreu dentro do Espaço Brasil, em um painel intitulado “Um só organismo, uma só saúde: Integrando rios, florestas e saúde oceânica, com foco nas espécies migratórias”. Este painel promoveu um debate multidisciplinar com especialistas de diferentes áreas para discutir a conexão entre saúde e biodiversidade.

 

Entre os debatedores estiveram Danila Frias, coordenadora de Saúde Única da SES; Vivyanne Magalhães, representante do Ministério da Saúde; Camila Domit, pesquisadora da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e membro da Rede Paraná pela Década do Oceano; e Patrícia Serafini, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

 

Experiências integradas e vigilância em saúde

 

No painel, Danila Frias destacou que a articulação entre saúde humana, animal e ambiental é fundamental em regiões como Mato Grosso do Sul, que abrange parte significativa do Pantanal e integra rotas de migração de espécies silvestres.

 

“A participação na COP-15 reforça o compromisso do Estado em desenvolver políticas públicas integradas, que reconhecem a relação direta entre a saúde da população, dos animais e dos ecossistemas. Trabalhar essa conexão é essencial para prevenir doenças e promover qualidade de vida de forma sustentável”, afirmou Danila Frias.

 

Foram detalhadas iniciativas de vigilância integrada, monitoramento de enfermidades e ações educativas em saúde, todas desenvolvidas em Mato Grosso do Sul. Essas iniciativas envolvem a cooperação com a Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (SEMADESC) e a Secretaria de Estado de Assistência Social e dos Direitos Humanos (SEAD), garantindo políticas públicas intersetoriais.

 

A SES deixou claro que essas estratégias seguem as diretrizes do plano de governo estadual, considerando a Saúde Única como base estruturante. O equilíbrio do ecossistema, o cuidado com o meio ambiente e a atenção à saúde animal são vistos como fundamentais para prevenir agravos à saúde humana.

 

Avanço nacional e experiências estaduais

 

Durante o painel, Vivyanne Magalhães, do Ministério da Saúde, ressaltou a importância de debates como o realizado na COP-15 para fortalecer a pauta de Saúde Única no Brasil. Ela destacou a relevância da participação feminina qualificada na mesa e a apresentação de experiências concretas, tanto em nível nacional quanto estadual, especialmente as desenvolvidas em Mato Grosso do Sul.

 

“Foi um momento extremamente importante, com uma mesa composta por mulheres com grande capacidade técnica, apresentando ações concretas. Além das iniciativas nacionais, também trouxemos experiências práticas desenvolvidas nos estados, como o fortalecimento da Saúde Única em Mato Grosso do Sul”, declarou Vivyanne Magalhães.

 

Ela informou que o Ministério da Saúde está finalizando o Plano de Ação Nacional de Uma Só Saúde, com a finalidade de ampliar a implementação da estratégia em todos os estados.

 

“Esse trabalho já vem sendo desenvolvido há anos, em diferentes esferas e com várias instituições envolvidas. A institucionalização, por meio do comitê técnico interinstitucional, fortalece essa agenda e amplia a capacidade de mobilização para que as ações aconteçam de forma efetiva nos territórios”, acrescentou Vivyanne.

 

Conexão entre sistemas naturais e saúde global

 

Representando a Universidade Federal do Paraná e a Rede Paraná pela Década do Oceano, Camila Domit afirmou que os debates realizados na conferência reforçam a estreita ligação entre os sistemas naturais e a saúde humana.

 

“O planeta funciona de forma integrada. A saúde da biodiversidade está diretamente relacionada à saúde ambiental e à saúde humana. As questões sociais, econômicas e ambientais estão interconectadas e exigem uma governança estratégica que tenha a saúde como eixo central e que leve à sociedade a compreensão da importância de cuidar da biodiversidade”, explicou Camila Domit.

 

Monitoramento costeiro e identificação de mudanças ambientais

 

Patrícia Serafini, analista ambiental do ICMBio, ressaltou o papel das espécies migratórias como indicadores de mudanças ambientais e sanitárias. Ela enfatizou que as espécies migratórias funcionam como sentinelas das condições do planeta ao evidenciar alterações que muitas vezes não são visíveis diretamente.

 

“No contexto das espécies migratórias, a Saúde Única é indispensável. Esses animais funcionam como sentinelas do que está acontecendo no planeta e nos ajudam a compreender mudanças que muitas vezes não são visíveis diretamente”, declarou Patrícia Serafini.

 

Patrícia relatou que, no Brasil, aproximadamente 40% do litoral é monitorado diariamente por programas ligados ao licenciamento ambiental federal. Esse monitoramento permite identificar causas de mortalidade animal, presença de contaminantes, doenças e patógenos, contribuindo para revelar o que acontece no oceano, incluindo áreas de difícil acesso.

 

Campo Grande sedia discussões globais sobre biodiversidade

 

A realização da COP-15 CMS em Campo Grande reuniu delegações de diversas nacionalidades para discutir a conservação da biodiversidade, com foco especial em espécies migratórias e nos efeitos ambientais que ultrapassam fronteiras. O evento promoveu um espaço de diálogo sobre a interconexão entre saúde, meio ambiente e desenvolvimento diante dos desafios globais cada vez mais interdependentes.

 

Além disso, a programação incluiu exposições de trabalhos realizados em Mato Grosso do Sul, relatos de experiências, monitoramento ambiental e discussões sobre políticas públicas articuladas entre diferentes órgãos e esferas de governo.

 

Com essas ações, Mato Grosso do Sul consolida-se como referência nacional e internacional na integração de políticas de saúde e meio ambiente, destacando a necessidade de abordagem conjunta para promoção da saúde, preservação de espécies e sustentabilidade dos ecossistemas.

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