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Operação "Matrioska" desarticula tráfico e lavagem com apoio em MS

Polícia Civil do Paraná lidera ação interestadual contra organização criminosa com ramificações em Mato Grosso do Sul e Santa Catarina, resultando em prisões e apreensões.

25/02/2026 às 18:04
Por: Redação

A Polícia Civil do Mato Grosso do Sul, por meio do Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (DRACCO), uniu forças com a Polícia Civil do Paraná na quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026, para a deflagração da Operação "Matrioska". A ação visou desarticular uma sofisticada organização criminosa dedicada ao tráfico de drogas e à lavagem de dinheiro, cumprindo diversas medidas cautelares expedidas pela Justiça.

 

Coordenada pela Divisão Estadual de Narcóticos (DENARC), especificamente pelo Núcleo Regional de Pato Branco, e com o apoio da 5ª Subdivisão Policial, a operação teve como ponto de partida uma investigação iniciada em 26 de agosto de 2025. Naquele momento, equipes da Denarc e do Núcleo de Operações com Cães (NOC) realizaram uma prisão em flagrante na cidade de Realeza, quando uma mulher residente em Pato Branco foi detida em um ônibus, transportando mais de dois quilogramas de crack.

 

O inquérito policial subsequente revelou uma estrutura criminosa complexa e hierarquizada, responsável por todo o ciclo do narcotráfico: desde a aquisição, passando pelo transporte e armazenamento, até a distribuição de entorpecentes, como crack e cocaína. Além disso, o grupo realizava a movimentação e ocultação de vastas quantias de dinheiro ilícito, evidenciando uma robusta rede de lavagem de capitais para dissimular a origem dos valores obtidos com as atividades ilegais.

Liderança no cárcere e modus operandi

As apurações policiais indicaram que a organização era comandada por um indivíduo já custodiado no sistema prisional de Mato Grosso do Sul. Mesmo sob custódia, o líder continuava a exercer controle total sobre as operações, determinando rotas de transporte, coordenando a distribuição dos entorpecentes e gerenciando os recursos financeiros da quadrilha por meio de contas bancárias de terceiros, utilizadas para mascarar a origem ilegal dos valores.


A droga era frequentemente transportada do Mato Grosso do Sul até Pato Branco por mulheres, muitas vezes acompanhadas de seus filhos, utilizando ônibus de linha para tentar iludir a fiscalização.


Com base nas irrefutáveis provas coletadas ao longo da investigação, a Polícia Civil do Paraná solicitou e obteve da Justiça a expedição de 24 mandados de prisão preventiva e 34 mandados de busca e apreensão. Além disso, foram autorizados o bloqueio e o sequestro de ativos financeiros do grupo criminoso, medidas cruciais para desmantelar a organização e cortar seu fluxo de recursos ilícitos, impedindo a continuidade de suas operações.

 

Abrangência interestadual e desdobramentos

A Operação Matrioska teve um caráter abrangente e interestadual, com o cumprimento das ordens judiciais não apenas no Paraná, mas também nos estados de Mato Grosso do Sul e Santa Catarina, contando com o essencial apoio das respectivas Polícias Civis locais. Essa cooperação demonstra a amplitude da rede criminosa e a necessidade de uma ação coordenada entre as forças de segurança.

 

Em Mato Grosso do Sul, equipes do DRACCO realizaram o cumprimento de mandados de prisão e busca e apreensão na capital, Campo Grande. Um dos principais alvos da operação já se encontrava detido em um estabelecimento de segurança máxima, e a busca em sua cela, com o suporte de policiais penais, resultou na apreensão de sete aparelhos celulares, fundamentais para a continuidade das investigações e identificação de outros membros.

 

No estado do Paraná, as determinações judiciais foram executadas em diversas cidades, incluindo Cascavel, Quedas do Iguaçu, Clevelândia, Mariópolis e Pato Branco, com o empenho de unidades especializadas e operacionais da Polícia Civil. O nome da operação, "Matrioska", faz alusão às bonecas russas que contêm peças menores em seu interior, simbolizando a estrutura em camadas da organização criminosa e, igualmente, a forma engenhosa de ocultação da droga junto ao corpo pelos traficantes.


Mais da metade dos indivíduos investigados na Operação Matrioska são mulheres, muitas das quais desempenhavam funções estratégicas na logística, transporte, distribuição e gestão financeira do grupo criminoso.


É relevante destacar que essa constatação sublinha a diversidade de papéis e a complexidade da rede de atuação desmantelada pelas forças de segurança. As investigações permanecem em curso, com a análise detalhada de todo o material apreendido, que inclui documentos, dispositivos eletrônicos e informações financeiras. O objetivo principal é a completa responsabilização de todos os envolvidos nos crimes de tráfico e lavagem de dinheiro, bem como a identificação de quaisquer outros integrantes da organização criminosa que ainda não foram alcançados pela operação, garantindo a desarticulação total do esquema.

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