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Doador encerra 52 anos de solidariedade e filha realiza coleta final no Hemosul

Domingos Paulo Sosti fez sua última doação aos 69 anos e recebeu homenagem inédita no Hemosul; filha participou como profissional da coleta.

28/03/2026 às 14:43
Por: Redação

A despedida de Domingos Paulo Sosti doou novos contornos à solidariedade no Hemosul Coordenador, em Campo Grande, na quinta-feira (26). Prestes a completar 70 anos, idade máxima permitida por lei para doação de sangue, ele realizou sua última coleta aos 69, encerrando um ciclo de 52 anos dedicados a ajudar desconhecidos e pessoas próximas. O reconhecimento veio com um certificado inédito entregue pela instituição, formalizando sua trajetória de contribuições.

 

O ato se tornou ainda mais marcante pelo envolvimento da filha, Vanessa dos Santos, que atua como técnica em enfermagem no próprio Hemosul. Coube a ela, desta vez, coletar o sangue do pai, tornando o momento carregado de simbolismo familiar e profissional.

 

Domingos iniciou suas doações aos 18 anos, em São Paulo, mantendo a regularidade ao longo das décadas. Para ele, doar sangue sempre foi um gesto de valorização do próximo, além de trazer gratificação pessoal.

 

"Eu acho muito gratificante doar sangue, porque estamos ajudando o próximo. Já são 52 anos de doação. Se eu pudesse, doaria mais ainda, mas existe o limite de idade, que vai até os 70 anos."

 

Entre as várias experiências vividas, Domingos destaca o caso em que sua doação foi essencial para salvar a filha de um amigo, gesto que o sensibilizou profundamente.

 

"Ela precisava com urgência. Isso me tocou muito, porque penso que ajudei aquela criança a ter uma vida inteira pela frente."

 

O reconhecimento oficial do Hemosul, com a entrega do certificado, abre a possibilidade de outros doadores em situações semelhantes receberem a mesma homenagem institucional.

 

"É um sentimento de muita gratidão. Pelo que fiz até hoje, sinto que é um reconhecimento, uma bênção."

 

Exemplo que influencia gerações

 

A marca deixada por Domingos ultrapassou a esfera pública e ecoou na própria família. Vanessa cresceu vendo o pai retornar para casa após doar sangue, sempre admirando a postura dele. Ela relata que, desde a infância, desejava seguir o mesmo caminho.

 

"Desde muito pequena, eu via ele chegando da doação, com orgulho. E eu sempre falava: ‘Quando eu crescer, quero ser doadora de sangue igual ao meu pai’."

 

Apesar do receio de agulhas, Vanessa superou o medo para se tornar doadora. Atualmente, soma cerca de quatro a cinco anos praticando o gesto solidário, inspirado nas orientações do pai.

 

"Ele sempre dizia que não doía, que o mais importante era o sentimento. Levei um tempo, mas hoje já tenho cerca de 4 a 5 anos como doadora."

 

A escolha profissional de Vanessa também foi impactada pelo ambiente de cuidado presente em sua casa. Ela atua há quase treze anos como servidora da Secretaria de Estado de Saúde (SES) e possui 22 anos de experiência em enfermagem, estando há cinco meses no Hemosul.

 

"Construí minha trajetória na enfermagem e hoje estou aqui, no Hemosul, vivendo isso de perto."

 

Presenciar a homenagem ao pai foi motivo de emoção e orgulho, especialmente pelo fato de ela própria ter realizado a coleta final.

 

"Ele está prestes a completar 70 anos, mas tem um espírito jovem. É o tipo de pessoa que, se você ligar de madrugada pedindo ajuda, ele vai. Ele se doa para os outros, isso faz parte da essência dele."

 

O exemplo de Domingos também influenciou os irmãos de Vanessa. Ela conta que uma de suas irmãs já é doadora, enquanto o irmão ainda enfrenta um pouco de medo, mas recebe incentivo da família.

 

Homenagem familiar e significado

 

O que seria uma simples comemoração institucional acabou se tornando uma homenagem familiar, idealizada por Vanessa, como forma de retribuição a tudo que seu pai representa.

 

"Era para ser só uma comemoração para a página do Hemosul, mas virou uma homenagem minha para ele. Uma forma de retribuir tudo o que ele fez por mim."

 

Esse momento simbolizou não apenas um encerramento, mas também a continuidade de um legado familiar e comunitário.

 

"Fecha um ciclo, mas começa outro. Ele encerrou essa fase com saúde, não por doença, mas porque chegou o tempo. Como diz a Bíblia, há tempo para todas as coisas."

 

Convite à solidariedade e orientações para doar

 

Domingos deixou um apelo para a população vencer o medo do procedimento e aderir à prática de doar sangue, enfatizando o aspecto humano e solidário do gesto.

 

"Muita gente tem medo por causa da agulha, mas não dói. Doar sangue é um gesto de amor. Todos deveriam doar, porque estamos salvando vidas."

 

Para quem deseja ser doador de sangue, é necessário observar alguns requisitos obrigatórios:

 

- Estar em boas condições de saúde.

 

- Ter idade entre 16 e 69 anos, sendo que menores podem doar apenas acompanhados do responsável legal, e a primeira doação deve ocorrer até os 60 anos.

 

- Pesar ao menos 51 kg.

 

- Estar alimentado, evitando refeições com alto teor de gordura nas horas que antecedem a doação.

 

- Apresentar documento oficial com foto.

 

- Respeitar o intervalo mínimo entre doações: 60 dias para homens e 90 dias para mulheres.

 

- Não ter consumido bebidas alcoólicas nas 12 horas anteriores à coleta.

 

- Estar adequadamente hidratado antes e após a doação.

 

- Observar os prazos exigidos em caso de cirurgias, vacinas ou procedimentos médicos recentes.

 

Todos os candidatos à doação são submetidos a triagem clínica antes do procedimento, visando garantir a segurança tanto de quem doa quanto dos receptores do sangue.

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