A Polícia Civil do Estado de Mato Grosso revelou que um grupo criminoso, alvo da Operação Conluio Pantaneiro, movimentou aproximadamente cinquenta e quatro milhões de reais por meio de lavagem de dinheiro entre os anos de 2022 e 2024. A investigação, deflagrada na sexta-feira, dia 20 de março de 2026, apurou que a quadrilha atuava intensamente no tráfico de drogas na região de fronteira e utilizava empresas fantasmas para dissimular a origem dos recursos ilícitos.
De acordo com a delegada Bruna Laet, responsável pelas apurações, os envolvidos faziam uso de pessoas jurídicas fictícias e de terceiros que não possuíam capacidade financeira para justificar grandes movimentações monetárias provenientes do tráfico de entorpecentes.
“Os investigados utilizavam de pessoas jurídicas ‘fantasmas’ e de terceiros sem capacidade financeira para movimentar elevadas quantias oriundas do tráfico de drogas”, afirmou a delegada Bruna Laet.
A delegada detalhou que os investigados lançavam mão de diversas operações bancárias com o objetivo de esconder a origem dos ativos financeiros e garantir que esses valores pudessem ser utilizados sem levantar suspeitas. As ações envolviam empresas que não possuíam existência real, atuando apenas como fachada.
Em Mato Grosso, a principal empresa utilizada pela quadrilha situava-se no ramo de instalação e manutenção de aparelhos de ar-condicionado, estabelecida em Cáceres. O proprietário dessa empresa, de 43 anos, utilizava tanto as contas da firma quanto sua conta pessoal para realizar as transações.
No ano de 2023, esse empresário recebeu um total de quatro milhões, oitocentos e noventa e quatro mil, duzentos e cinquenta e três reais e quarenta e oito centavos. Na data da operação, 20 de março, ele foi preso pelos agentes em Cáceres.
Além disso, os criminosos também receberam altos valores de duas empresas laranjas situadas no Estado de São Paulo. Ambas eram administradas pelas mesmas pessoas e alegavam atuar no ramo de assessoria em gestão administrativa. Um homem de 55 anos, indicado como responsável por uma dessas empresas, foi detido em Taubaté (SP) durante o cumprimento dos mandados judiciais.
As investigações identificaram a utilização de empresas de diferentes setores econômicos para a lavagem do dinheiro ilícito, incluindo:
Dados apurados indicam que, entre 6 de junho de 2023 e 17 de agosto de 2023, o grupo, constituído por aproximadamente vinte pessoas, recebeu pelo menos seis remessas de drogas, totalizando dois mil e setecentos quilos de pasta base de cocaína. O volume financeiro movimentado nesse período atingiu cerca de cinquenta e quatro milhões de reais.
“Eles eram uma organização criminosa estruturada e caracterizada pela divisão de tarefas, com o objetivo de obter vantagem financeira por meio do tráfico de drogas e lavagem de dinheiro”, declarou a delegada Bruna Laet, responsável pelo inquérito que durou mais de dois anos.
Durante a operação realizada na sexta-feira, dia 20, foram executados todos os dez mandados de prisão expedidos pela Justiça e efetuadas quatro prisões em flagrante. Os policiais também apreenderam quatro armas de fogo, um automóvel, uma motocicleta, dois caminhões, treze relógios, vinte e um aparelhos eletrônicos e a quantia de oito mil quinhentos e setenta reais em dinheiro vivo.
As apurações continuam em andamento para identificar outros possíveis participantes do esquema criminoso, além de detalhar o funcionamento da organização. Novas fases da operação não estão descartadas pelas autoridades responsáveis.