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Projeto une vozes de crianças e jovens contra o racismo ambiental

Publicação “Pequenos Grandes Saberes” dá voz a comunidades vulneráveis em seis estados brasileiros.

01/03/2026 às 16:12
Por: Redação

Comunidades ribeirinhas, favelas e reservas indígenas estão entre os grupos mais atingidos pelo racismo ambiental no Brasil. Este conceito se refere ao conjunto de injustiças sociais e ambientais que geram consequências mais severas para determinadas etnias e populações vulneráveis, acentuando as desigualdades já existentes em nosso país.

 

A partir dos relatos contundentes de jovens que residem nessas regiões, a ActionAid – uma renomada organização internacional dedicada à justiça social – lançou um projeto inovador de conscientização ambiental. A iniciativa conta com o apoio e a colaboração de diversas organizações parceiras, ampliando seu alcance e o impacto social.

 

O ponto central desse projeto é a publicação intitulada Pequenos Grandes Saberes: Um Glossário Climático pelo Olhar de Crianças e Adolescentes. Este material único e valioso reúne relatos e ilustrações produzidas por crianças e adolescentes, com idades que variam entre sete e 17 anos, que vivenciam diretamente os impactos do racismo ambiental.

 

Esses jovens vivem em territórios frequentemente afetados por sérios problemas como a falta de saneamento básico adequado, o calor extremo, alagamentos recorrentes e outras múltiplas formas de injustiça socioambiental. Suas vozes e perspectivas oferecem um olhar autêntico e essencial sobre os desafios enfrentados diariamente em suas comunidades.

 

Ao todo, cerca de 350 moradores de seis estados brasileiros contribuíram ativamente para a elaboração do glossário, em um processo colaborativo que se estendeu por três anos. O projeto envolveu jovens do Complexo da Maré, no Rio de Janeiro; de Heliópolis, em São Paulo; e do território indígena Xakriabá, em Minas Gerais.

 

Participaram também comunidades rurais do interior de Pernambuco, territórios quilombolas situados na Bahia e, ainda, comunidades de quebradeiras de coco babaçu no Tocantins. Essa diversidade de vozes enriquece significativamente a publicação e reflete a amplitude das realidades afetadas pelo racismo ambiental em nosso país.

 

O Glossário e a Voz das Crianças

Carolina Silva, especialista em Educação e Infâncias e uma das mentes responsáveis pela metodologia do projeto, revela que a inspiração para a publicação emergiu gradualmente. A ideia nasceu a partir do incômodo e da percepção clara das injustiças vivenciadas pelas próprias crianças e jovens em seus ambientes.


“Percebemos que as crianças já sentiam que algo estava errado nos seus territórios, mas ainda não tinham palavras para nomear essas injustiças. O glossário nasce dessa necessidade de expressão e mostra a potência das nossas crianças e adolescentes e a riqueza dos saberes que compartilham”, explica Carolina.


O livro convida o leitor a acompanhar o personagem Akin, que mergulha no mundo e aprende sobre ele através das singulares descrições feitas pelos jovens. Na letra A, Akin compreende que as crianças definem

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