Após uma repressão intensa, os protestos no Irã diminuíram significativamente, de acordo com declarações de moradores e um grupo de direitos humanos. Na última sexta-feira (16), a mídia estatal do país noticiou novas prisões, enquanto os Estados Unidos mantêm ameaças de intervir caso as mortes ocasionadas pela repressão não cessem.
Os protestos iniciaram em 28 de dezembro, estimulados por uma inflação crescente que abalou uma economia já prejudicada por sanções. A situação evoluiu para um dos mais significativos desafios ao regime clerical iraniano, vigente desde a Revolução Islâmica de 1979. A tensão internacional ganhou força após o presidente norte-americano, Donald Trump, ameaçar com ação militar em apoio aos manifestantes. Desde a última quarta-feira (14), esses temores diminuíram quando Trump afirmou ter recebido informações sobre a redução das mortes na repressão.
Países aliados aos EUA, como Arábia Saudita e Catar, estão atuando diplomaticamente junto a Washington para evitar uma escalada militar. Representantes alertam sobre o impacto potencial na região, advertindo que consequências mais amplas afetariam diretamente os Estados Unidos. Autoridades do Golfo destacam que a situação exige uma abordagem controlada para evitar um conflito mais amplo.
A Casa Branca, através de Karoline Leavitt, confirmou que Trump e sua equipe monitoram de perto os desdobramentos e já advertiram Teerã sobre "graves consequências" caso persistam as ofensivas contra os manifestantes.
Na última contabilização, o governo iraniano interrompeu 800 execuções programadas, segundo informações de oficiais americanos. Trump estaria avaliando várias possibilidades de resposta, sem descartar opções.
Com comunicação do país obstruída devido a um apagão na internet, relatos de Teerã indicam uma calma desde domingo, com drones monitorando a cidade. Não há registro de protestos recentes nas ruas nas últimas duas semanas, conforme relataram residentes locais. Segundo o grupo Hengaw, com sede na Noruega, a segurança permanece rígida, não havendo sinais claros de manifestações desde então.
"Nossas fontes independentes confirmam uma forte presença militar em locais anteriormente afetados por protestos, bem como em áreas não diretamente impactadas," destacou Hengaw em declaração à Reuters.
Na região do Mar Cáspio, moradores também relatam um cenário de tranquilidade. Os residentes, por motivos de segurança, preferiram não se identificar.