Maior produtora mundial de etanol e biomassa de cana-de-açúcar, a Raízen deu entrada em um pedido de recuperação extrajudicial. Na última quarta-feira, dia 11 de março de 2026, a gigante do setor agroenergético anunciou que a solicitação foi acordada com seus principais credores.
Em comunicado, a empresa destacou que o pedido visa "assegurar um ambiente jurídico estável para a negociação e implementação da reestruturação das dívidas financeiras quirografárias do Grupo Raízen". As dívidas ultrapassam os 65,1 bilhões de reais.
Dívidas quirografárias são créditos sem garantias reais, como hipotecas, e não têm preferência em ordens de pagamento. Caso ocorra falência ou recuperação judicial, estes credores são os últimos a receberem os valores devidos.
O Plano de Recuperação Extrajudicial, encaminhado à Comarca da Capital de São Paulo, obteve apoio de seus principais credores, que representam mais de 47% das dívidas financeiras quirografárias, superando o quórum mínimo legal.
“O Grupo Raízen dispõe de 90 dias, após o processamento da Recuperação Extrajudicial, para alcançar o percentual necessário à homologação do plano”, explicou a companhia.
A proposta não inclui dívidas com clientes e fornecedores, que continuam conforme os contratos vigentes, garantindo o cumprimento das obrigações.
O plano pode contemplar a capitalização do Grupo Raízen por acionistas e a conversão de parte das dívidas em participação acionária, além de reorganizações societárias e vendas de ativos.
Com uma força de trabalho de mais de 45 mil colaboradores e 15 mil parceiros de negócios no Brasil, a Raízen geriu 35 usinas na safra 2024/2025, anunciando uma receita líquida de 255,3 bilhões de reais.
“As operações continuam normalmente, e a Raízen manterá acionistas e mercado informados sobre desdobramentos”, ressaltou a companhia.