Nesta terça-feira, 20 de janeiro, o Rio de Janeiro celebra o Dia de São Sebastião, padroeiro da cidade, com uma programação especial de missas e uma procissão histórica. O cardeal Dom Orani João Tempesta conduzirá a primeira missa às 10h na Basílica Santuário de São Sebastião, no bairro da Tijuca, zona norte da cidade.
Durante a tarde, a partir das 16h, os fiéis participarão de uma procissão que percorrerá cerca de cinco quilômetros, começando na Basílica da Tijuca e seguindo até a Catedral Metropolitana de São Sebastião, situada na Avenida Chile, no centro do Rio. Esta procissão foi classificada como patrimônio cultural da cidade em 2014.
No final da procissão, ocorrerá a apresentação do Auto de São Sebastião de 2026 na Avenida Chile, exaltando a vida e a espiritualidade do santo, antes da celebração de uma missa solene na catedral.
A cerimônia reafirma a relevância de São Sebastião como ícone religioso e cultural para o Rio de Janeiro.
A data marca também a expulsão dos franceses da Baía de Guanabara em 1567, com a participação lendária de São Sebastião na batalha. Esse evento é uma parte central da história e identidade cariocas.
São Sebastião, nascido em Narbona, França, no ano 256, foi um mártir romano reverenciado desde o século 4. Após converter-se ao cristianismo, serviu como comandante da guarda do imperador Diocleciano, até ser executado por se recusar a renunciar sua fé, inspirando gerações posteriores.
Diocleciano não conseguiu que Sebastião renunciasse à fé cristã, resultando em sua morte em 287, e sepultamento próximo às catacumbas dos apóstolos.
Com a construção da Basílica de São Sebastião na Via Appia, seu culto se espalhou, iniciando tradições que perduram até hoje. Ele é venerado como um protetor contra pestes, fomes e guerras, sendo também um símbolo recente para comunidades LGBTQIA+.
Em um exemplo de sincretismo religioso, São Sebastião é associado ao orixá Oxóssi, reverenciado nas tradições afro-brasileiras como um deus da caça, fartura e sabedoria. Ambos são celebrados em 20 de janeiro, ressaltando sua importância cultural tanto para católicos quanto para praticantes de religiões de matriz africana.
Oxóssi e Sebastião compartilham atributos de guerreiros, sendo lembrados pela resistência e proteção que oferecem.
Essas celebrações destacam a rica tapeçaria cultural e espiritual do Rio de Janeiro, reforçando laços comunitários através de suas múltiplas influências históricas e religiosas.