A Venezuela enfrenta uma crise econômica severa, intensificada pelas sanções impostas pelos Estados Unidos ao longo dos anos. Essas medidas, chamadas de Medidas Coercitivas Unilaterais, contribuíram significativamente para o abalo econômico e social do país, que tenta resistir às pressões internacionais.
Desde o início das sanções, a Venezuela, detentora das maiores reservas de petróleo do mundo, viu suas principais fontes de receita e transações financeiras serem afetadas. Estudos indicam que esse tipo de cerco econômico é frequentemente utilizado como ferramenta de política externa para desestabilizar governos. Essa estratégia é semelhante à aplicada em outras nações, como o Irã.
O cerco econômico imposto à Venezuela complicou severamente o financiamento da indústria petrolífera, dificultou o refinanciamento da dívida pública e bloqueou ativos venezuelanos no exterior. Países como Portugal e Reino Unido aderiram ao bloqueio de ativos, com o Banco Central da Inglaterra confiscando um volume significativo de ouro venezuelano. As transações internacionais vinculadas ao país também foram severamente restringidas.
Washington colocou sob suspeita todas as transações vinculadas à Venezuela, o que levou ao bloqueio de canais financeiros com instituições de outras nações.
A restrição também atingiu a Citgo, principal filial da estatal petrolífera PdVSA no exterior. A empresa foi liquidada pela justiça americana em 2025, um movimento considerado pela Venezuela como um "roubo".
A crise econômica, que consumiu cerca de 75% do PIB entre 2013 e 2022, resultou em forte migração venezuelana. Análises divergem sobre o papel das políticas internas versus as sanções na crise. As sanções a partir de 2017 restringiram ainda mais o acesso ao mercado financeiro dos EUA e foram ampliadas para incluir o comércio de ouro, minérios e petróleo.
“Dizer que os venezuelanos estão fugindo unicamente por causa do regime de Maduro não passa de uma mera retórica que ignora a questão fundamental: o impacto das sanções nas condições de vida”, afirma o economista Francisco Rodríguez.
O economista venezuelano destaca que as sanções interromperam as receitas do petróleo, fundamentais para financiar importações e manter o nível de vida no país.
Especialistas apontam que a queda do preço do barril de petróleo e as sanções internacionais foram fatores críticos para a recessão venezuelana. O bloqueio financeiro aumentou a retração do setor petrolífero significativamente, resultando em bilhões de dólares em perdas de divisas.
A economista Juliane Furno ressalta que a situação piorou ainda mais a partir de 2019, com o bloqueio das reservas em ouro e a proibição de acessar o principal mercado consumidor.
A hiperinflação, oficializada em 2017, agravou-se com as sanções. No entanto, uma recuperação econômica começou a ser vislumbrada em 2022, com o relaxamento de algumas medidas no governo de Joe Biden.
A Venezuela registrou crescimento econômico, com dados da Cepal indicando uma recuperação substancial do PIB em 2024 e 2025.