Durante a programação da 18ª Semana do Artesão, estudantes de escolas públicas em Campo Grande participaram de oficinas de artesanato, com o objetivo de aproximar os jovens da cultura e das tradições do Mato Grosso do Sul. Na manhã do dia 17 de março, as atividades chegaram às escolas Bernardo Franco Baís e Governador Harry Amorim Costa, que receberam oficinas de Origami, Viola de Cocho e Cerâmica Terena.
Os alunos do sexto e do nono anos da Escola Municipal Bernardo Franco Baís tiveram contato com a arte do origami, por meio da oficina ministrada por Elder Alves Severino. Durante a atividade, Elder explicou o processo para se tornar um origamista, abordando o papel do artesanato no Mato Grosso do Sul e sua relação com a imigração japonesa no estado. Ele também destacou temas como economia criativa e a importância do artesanato para a comunidade local. Segundo Elder, a proposta era trabalhar com os estudantes questões ligadas à cultura, à criatividade e à valorização do trabalho manual.
Verônica Lindquist, professora de Artes responsável pelo acompanhamento da turma, comentou sobre o impacto das oficinas para os alunos, ressaltando a relevância da arte como um processo criativo que pode ser convertido em atividade econômica. Ela afirmou que saber utilizar e direcionar habilidades artísticas pode contribuir para a subsistência, além de ampliar a percepção dos estudantes sobre o contexto regional e sobre a produção artesanal no Mato Grosso do Sul. Verônica pontuou que o artesanato produzido no estado também é exportado e consumido em outras regiões, promovendo reconhecimento e valorização local.
Pedro Henrique, estudante do nono ano com 14 anos de idade, relatou que aprendeu técnicas de origami e considerou a experiência bastante representativa da cultura sul-mato-grossense e japonesa. Ele produziu um coração e uma borboleta em origami durante a oficina e mencionou que a atividade auxilia na concentração e no foco.
Na Escola Municipal Governador Harry Amorim Costa, as oficinas foram divididas entre turmas do sétimo e do nono anos. Para os alunos do sétimo ano, Rosenir Batista ministrou a Oficina de Cerâmica Terena, enquanto os estudantes do nono ano participaram da Oficina de Viola de Cocho, conduzida pelo mestre Sebastião Souza Brandão.
A oficina de cerâmica proporcionou aos alunos a oportunidade de aprender sobre a confecção de peças terenas, como vasos pequenos. Rosenir Terena permitiu que os estudantes explorassem livremente sua criatividade, confeccionando objetos que desejassem. Ela enfatizou a importância da atividade, pois representa um intercâmbio entre o trabalho desenvolvido nas aldeias e a cidade, promovendo reconhecimento para o artesanato indígena.
Já na Oficina de Viola de Cocho, Sebastião Brandão compartilhou o processo inicial de fabricação do instrumento musical com os participantes. Ele explicou como começar a elaborar uma viola de souvenir e ressaltou a satisfação de transmitir uma tradição tão antiga, que, segundo ele, vinha sendo esquecida ao longo do tempo.
A professora de História Gláucia Pereira Silva de Almeida celebrou a realização das oficinas na escola, destacando que elas oferecem uma vivência prática do que é ensinado em sala de aula. Gláucia observou que, no cotidiano escolar, prevalece o estudo da história global e do Brasil, enquanto a história regional recebe menor atenção. Ela frisou que as atividades tornam a aprendizagem mais significativa e aproximam os alunos da realidade cultural do estado.
A abertura oficial da 18ª Semana do Artesão está marcada para o dia 18 de março, a partir das 18 horas, na Esplanada Ferroviária. O evento contará com a abertura da Feira Mãos que Criam e uma cerimônia de homenagem aos artesãos Marilde Cecilia Ferreira, de Rio Verde, Luiz Gonzaga de Oliveira, conhecido como "Luizinho" de Campo Grande, e Elizabeth Antunes Marques, chamada de "Beth Marques". Após as homenagens, haverá uma apresentação cultural do duo Borba Nonnato.
Fotos: Ricardo Gomes