Um novo sistema implementado pela Polícia Civil de Mato Grosso tem desempenhado papel fundamental na localização de pessoas desaparecidas e no reencontro de famílias, inclusive em casos antigos sem registro formal de desaparecimento. Em um episódio recente, um homem de 73 anos, natural de Porto Estrela (MT), foi encontrado após quase 50 anos afastado do convívio familiar. O idoso havia deixado a casa ainda jovem, em busca de trabalho, e nunca mais manteve contato com seus parentes. À época do desaparecimento, não houve boletim de ocorrência registrado.
Em 15 de março de 2026, o homem sofreu uma queda e foi socorrido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), sendo levado ao Hospital Municipal de Cuiabá sem portar documentos e apresentando estado de confusão mental. O registro realizado no novo sistema da Polícia Civil permitiu ao Núcleo de Pessoas Desaparecidas (NPD) da Delegacia Especializada de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP) obter informações que levaram à identificação do idoso e à localização de seus familiares. O reencontro, aguardado por décadas, foi marcado por grande emoção.
Com o intuito de proteger a dignidade e a segurança do idoso, que pode estar em situação de vulnerabilidade, os familiares optaram por não divulgar detalhes adicionais sobre sua identidade.
A Polícia Civil de Mato Grosso está em processo de implementação do Sistema de Identificação de Pessoas com Identidade Desconhecida. A ferramenta estabelece um novo fluxo de comunicação entre a Polícia Civil e as unidades de saúde, possibilitando a integração de informações e facilitando os procedimentos de identificação. O objetivo é contribuir para a redução de casos de desaparecimento no estado.
O sistema foi desenvolvido para o registro de pessoas que ingressam em hospitais e clínicas sem documentos ou sem identificação civil confirmada, permitindo resposta mais ágil e eficaz por parte das entidades envolvidas.
Esta iniciativa atende às exigências das Leis Estaduais nº 11.601/2021 e nº 12.833/2025, que instituem a Política Estadual de Busca de Pessoas Desaparecidas, promovendo a integração entre setores de segurança pública, saúde e assistência social.
A ferramenta permite o registro padronizado desses casos pela Delegacia Digital, mediante autenticação via gov.br, assegurando a segurança, rastreabilidade e validade institucional das informações inseridas.
Dentre as principais finalidades do sistema estão:
- Padronização dos registros realizados nas unidades de saúde;
- Integração com bases de dados da Polícia Civil;
- Atuação técnica da Politec nos procedimentos de identificação;
- Cruzamento de dados com cadastros de pessoas desaparecidas;
- Redução do tempo de resposta às famílias.
“A iniciativa fortalece a política pública de busca de pessoas desaparecidas e assegura maior eficiência na identificação de pessoas em situação de vulnerabilidade, contribuindo diretamente para a garantia da dignidade da pessoa humana e o reencontro de famílias”, afirmou Jannaina Paula Brito de Souza Silva, escrivã-chefe do Núcleo de Pessoas Desaparecidas.
De acordo com Jannaina, o envolvimento das equipes de assistência social é essencial para o sucesso do sistema e para a eficiência nas ações de identificação e localização de pessoas.
“O contato com os assistentes sociais atende uma orientação da Senasp e promove o cumprimento da Lei de Desaparecidos estadual. E isso é como uma prevenção aos casos de desaparecidos, para dirimir os casos de óbitos sem identificações”, concluiu a escrivã-chefe.
Hospitais e clínicas interessados em obter mais informações ou em acessar o sistema podem contatar o Núcleo de Pessoas Desaparecidas da DHPP pelo telefone 65 98173-0565.