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Transporte aéreo acelera transplantes e renova esperança em Mato Grosso do Sul

Captações de órgãos com apoio aéreo já somam 39 missões desde 2023 em Mato Grosso do Sul

25/03/2026 às 18:00
Por: Redação

Em Mato Grosso do Sul, o transporte aéreo de órgãos tem desempenhado papel decisivo para pacientes que necessitam de transplantes, promovendo agilidade e aumentando as chances de salvar vidas. Cada minuto é determinante nesse processo, que conta com a atuação conjunta da Coordenadoria de Transporte Aéreo (CTA), da Casa Militar e da Secretaria de Estado de Governo e Gestão Estratégica (Segov), responsáveis por garantir a pronta disponibilidade de aeronaves e equipes em todo o território nacional.

 

O serviço engloba tanto o deslocamento das equipes encarregadas da captação dos órgãos quanto dos times cirúrgicos encarregados dos transplantes, graças à dedicação de pilotos treinados e disponíveis para missões urgentes na CTA. Ontem, dia 24, foi realizada a décima missão de captação de 2024, envolvendo fígado e rins, novamente com o suporte aéreo do Governo do Estado.

 

Desde o ano passado, ocorreram 39 missões desse tipo, das quais 19 foram efetuadas em 2023. Na operação mais recente, o doador era da cidade de Dourados, mas, neste ano, houve também captações provenientes de Goiânia (GO), Uruaçu (GO) e Três Lagoas.

 

Em 2023, equipes do Estado atuaram em cidades como Belo Horizonte (MG), Curitiba (PR), Sorocaba (SP), Rio de Janeiro (RJ), Brasília (DF), Rondônia (RO), Anápolis (GO), Rio Verde (GO) e Maringá (PR), evidenciando a abrangência do esforço para salvar vidas em diferentes estados.

 

“É um convênio, que funciona muito bem, já salvamos várias vidas transportando as equipes que fazem os transplantes. Fazemos este trabalho sempre que estamos disponíveis, quando o órgão é compatível com o paciente, entre outros fatores. E isso é realizado em qualquer dia da semana e horário”, relatou o coronel Marcos Paulo Gimenez, Chefe da Casa Militar e responsável pela CTA.

 

O médico cirurgião Gustavo Rapassi, que coordena o programa de transplantes de fígado, rins e pâncreas no Estado, ressaltou que a colaboração entre as equipes é fundamental para aumentar o número de pacientes beneficiados.

 

“Os órgãos disponíveis em toda a região Centro-Oeste e Norte, quando não são compatíveis com receptores, eles são ofertados para outras regiões. Por conta das grandes distâncias, a gente só consegue captar com o apoio do transporte aéreo, realizado na maioria das vezes pela Casa Militar. E isso aumenta a chance dos receptores, dos nossos pacientes que estão em fila para receber um órgão”, explicou o médico.

 

Durante a preparação para as cirurgias e captações, os pilotos envolvidos têm como prioridade a segurança e a rapidez dos voos. O tenente da Polícia Militar, Avyner Falcão, e o delegado da Polícia Civil, Enilton Zalla, ambos pilotos da CTA, destacam que a organização do serviço permite que uma missão seja iniciada, em média, apenas uma hora após o acionamento.

 

“Podemos ser chamados a qualquer momento. Todos nós somos preparados para estar no lugar em no máximo uma hora para atender esse tipo de demanda. E aí existe toda uma coordenação interna da parte de operações e dos pilotos, onde a gente analisa a possibilidade do voo, verifica se é possível e dá o start da missão, é um voo diferenciado. Exige de nós pilotos uma habilidade para fazer sempre da forma mais rápida e atender essa demanda de entrega do órgão”, detalhou Zalla.

 

Além das exigências técnicas, os pilotos reconhecem a relevância social de suas funções e relatam satisfação ao contribuir para salvar vidas. O tenente Avyner, que ingressou recentemente na equipe, expressou sua experiência nos voos destinados ao transporte de equipes para captação de órgãos, considerando a atividade especialmente gratificante.

 

Com sete anos de atuação em missões desse tipo, Zalla faz um apelo à população sobre a importância da doação de órgãos.

 

“Nós trabalhamos dentro de um sistema de transporte de órgãos que ajuda muitas pessoas. Então quem tiver acesso a esta mensagem, eu peço que estimule o seu familiar a ser um doador de órgãos. Eu sei que é um momento muito triste, a perda de um familiar. Mas que possamos pensar que alguém está precisando. Assim mais pessoas poderão ter suas vidas salvas”.

 

Zalla também compartilha lembranças de casos marcantes, como o de um paciente que precisou tentar 12 vezes antes de conseguir o transplante na 13ª tentativa, há cerca de um ano, e que expressou profundo agradecimento à equipe por ter colaborado para salvar sua vida.

 

O cirurgião Gustavo Rapassi enfatiza que a colaboração entre as equipes e o apoio do transporte aéreo são fatores essenciais para o sucesso dos transplantes, uma vez que o tempo reduzido de deslocamento impacta positivamente nos resultados. Ele reforça que muitos pacientes estão entre a vida e a morte enquanto aguardam um órgão, e que perder uma oportunidade por falta de transporte pode ser irreversível.

 

“O transporte facilita bastante, porque o tempo de deslocamento dos órgãos é curto, e melhora resultado do transplante. Os pacientes que aguardam, estão numa situação de vida ou morte, e quando um órgão vem e ele perde por falta de transporte, a gente não sabe se aquele paciente vai receber uma segunda chance. Então, por isso que a disponibilidade da Casa Militar em nos ajudar é essencial”, concluiu o cirurgião.

 

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