O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que não assistiu ao trecho racista de um vídeo compartilhado em sua rede social, no qual o casal Obama é retratado de forma ofensiva. Mesmo condenando a parte do vídeo, ele afirmou que não fará um pedido de desculpas.
“Eu não cometi nenhum erro. Quer dizer, eu analiso milhares de coisas. E eu vi o começo do vídeo. Estava tudo bem”, disse Trump ao ser questionado por jornalistas enquanto embarcava no avião presidencial.
“Alguém deixou passar um detalhe muito pequeno. Aliás, repito, não fui eu que fiz isso, foi outra pessoa. Foi uma republicação, não fomos nós que fizemos [o vídeo]”, completou o presidente.
O vídeo, que mostra Barack Obama e Michelle Obama com imagens ofensivas, causou grande repercussão. Pressionado, Trump afirmou que “provavelmente” ninguém de sua equipe viu o final do vídeo antes da postagem.
Críticas vieram inclusive de dentro do Partido Republicano, destacando-se a fala do senador Tim Scott, único republicano negro no Congresso, que disse ter rezado para que o vídeo fosse falso: “porque é a coisa mais racista que já vi vinda desta Casa Branca”.
O deputado Mike Lawler também considerou a publicação “extremamente ofensiva” e acrescentou que Trump deveria se desculpar além de apagar o vídeo.
O vídeo racista foi publicado em meio a postagens de Trump com acusações de fraude nas eleições de 2020. Tais acusações falsas já foram desmentidas repetidamente, sendo alvo de críticas e processos.
A Dominion Voting Systems, citada nas acusações, fechou um acordo de 787 milhões de dólares com a Fox News para encerrar um processo de difamação.
O reforço das teorias de fraude por Trump coincide com análises de que ele pode perder sua maioria no Congresso em futuras eleições. O democrata Taylor Rehmet conquistou recentemente uma cadeira no Senado estadual do Texas, deixando os republicanos alarmados.
“[O democrata] venceu com uma margem de 14,4 pontos percentuais em um distrito que Trump venceu por 17 pontos, causando pânico total entre os republicanos