Atividades culturais gratuitas, como exibições de filmes, oficinas e debates, marcarão presença na sede do Arquivo Nacional, no Rio de Janeiro, a partir desta sexta-feira (20). Trata-se do Arquivo em Cartaz — Festival Internacional de Cinema de Arquivo.
O evento ocorrerá até a próxima sexta-feira (24) e celebra os dez anos de criação do Arquivo em Cartaz, cuja comemoração começou em janeiro. O festival já levou mostras e debates a várias partes do país e resultou na abertura de três sedes regionais do Arquivo Nacional em Porto Alegre, Manaus e Salvador.
Letícia Grativol, coordenadora-geral de Acesso e Difusão de Acervo do Arquivo Nacional, declarou à Agência Brasil: "Desde a década de 1990, só tínhamos a sede no Rio de Janeiro e uma regional em Brasília".
Neste ano, o festival traz como tema "Memórias da Terra em Filmes de Arquivo: transformações ambientais, impactos e sobrevivências", inspirado na realização da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), que ocorrerá em Belém (PA) em novembro. "A gente está, o ano todo, mobilizando os nossos principais eventos para a temática das mudanças climáticas e do meio ambiente, por conta da própria COP30. Por isso, a gente escolheu esse tema”, explicou a coordenadora.
Desde o início do ano, o circuito comemorativo do Arquivo em Cartaz percorreu as cinco regiões do país com uma mostra itinerante de filmes. Grativol afirmou que agora é o momento de encerrar o ano com essa programação especial que inclui abertura e encontros com pesquisadores do audiovisual.
Em colaboração com a Empresa Brasil de Comunicação (EBC), o festival exibiu 18 obras de cineastas, produtores e ativistas ambientais, indígenas e quilombolas, atingindo mais de 566 mil espectadores na TV Brasil, Canal Gov e Canal Educação.
A programação prevê sessões de cinema diárias a partir das 18h30, na sede do Arquivo Nacional, abertas ao público. Desde o último dia 16, sessões gratuitas já ocorrem na Cinemateca do Museu de Arte Moderna (MAM) e no CineArte UFF em Niterói, continuando até a quinta-feira (23), com oportunidade para o público votar nas melhores produções.
A agenda da semana inclui também a Mostra Lanterninha Mágica, com filmes criados por crianças, e uma oficina inédita de sensibilidade de escuta conduzida pelo ex-Titã Gavin, utilizando o acervo sonoro da instituição.
Na sexta-feira (24), no pátio do Arquivo Nacional, acontecerão exibições em uma tela gigante, seguidas de premiações para os melhores filmes em diferentes categorias inscritas. “E a gente vai receber uma atração cultural que é o Cine Orquestra, em que vamos fazer sonorização de filmes mudos ao vivo, a partir das 18h. Não é preciso retirar ingresso. É só chegar aqui, na Praça da República”, informou Letícia.
Ainda na sexta-feira, será lançada a décima edição da Revista Arquivo em Cartaz, inicialmente em versão digital, mas com planos para uma edição impressa, a ser distribuída durante a COP30, abordando temas de interesse do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, ao qual o Arquivo está vinculado.
"Os organizadores da revista convidaram vários especialistas para falar sobre o tema da preservação, acervos audiovisuais". Nesta edição, o texto institucional e o editorial são de responsabilidade do Arquivo Nacional.
A mostra competitiva do Arquivo em Cartaz apresenta 18 filmes, divididos igualmente em curtas, médias e longas-metragens selecionados de 208 inscrições, um recorde em relação a edições anteriores. As produções utilizam ao menos 30% de material de arquivo.
Estruturas em todas as regionais do Arquivo Nacional foram montadas para exibir a premiação dos filmes da Mostra Competitiva. “Foi a primeira vez que foi feito esse circuito, e a gente pretende continuar com ele nos próximos anos”.
Além das categorias de melhores filmes, também serão premiadas melhores pesquisas e melhor uso de acervo. Os premiados recebem o Troféu Batoque, "que é nossa cara, característica do Arquivo Nacional. O batoque faz parte do processo de preservação audiovisual. É uma peça de filme, e a gente pega do nosso setor de preservação e monta o troféu com ele, para a pessoa levar também um pouquinho de nós dentro do troféu".