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Griôs Cariocas: Guardiões das Histórias do Rio

Nova série destaca a tradição oral dos mais velhos nas comunidades cariocas.

17/10/2025 às 20:02
Por: Redação

A partir desta sexta-feira (17), é possível embarcar em uma jornada através das histórias e conhecimentos dos mais velhos das comunidades do Rio de Janeiro com o projeto Avós da Comunidade. Idealizado por Dandara Barbosa, essa série audiovisual destaca a sabedoria ancestral e a oralidade dos griôs, aqueles que preservam as histórias dos bairros cariocas.

A inspiração para o projeto surgiu de um desconforto. "Vendo uma internet cada vez mais jovem, comecei a me perguntar: cadê os nossos griôs? Falamos tanto de ancestralidade, mas quase não ouvimos as vozes dos mais velhos", comenta Dandara.

"Criei o Avós da Comunidade para valorizar e deixar registrado aqueles que serão nossos futuros ancestrais."

Visitando áreas como Morro da Providência, Serrinha e Inhoaíba, o projeto revela personagens que são verdadeiros guardiões das memórias locais. Em cada episódio, o espectador é convidado a se juntar a avós, pais, fundadores de bairros e mestres do Jongo, entre outros.

"Os griôs são guardiões da história. São pessoas que viram tudo acontecer, que construíram o que hoje a gente chama de comunidade", explica Dandara.

O impulso inicial para o projeto veio durante um edital chamado Cultura nas Redes em 2023. "O nome me provocou: o que eu quero colocar na internet? Então pensei: vamos ouvir essa sabedoria griô, vamos registrar esses que um dia serão nossos ancestrais", diz.

As primeiras filmagens ocorreram na casa de Dandara, na Urucânia, zona oeste do Rio, focando nos fundadores do bairro.

"Foi tudo pequeno, mas com muito afeto. Percebi que cada fala era uma aula, uma risada, uma lembrança que não podia se perder."

Uma das histórias mais cativantes vem de Dona Jura, do Morro da Providência, que encontrou na cozinha uma forma de sustento e referência cultural. "Ela é uma mulher muito forte, nordestina, que veio para o Rio construir a vida. A comida virou ponto de encontro, de afeto e de sobrevivência", conta Dandara.

"Todo mundo tem uma memória afetiva com comida e com as avós. Dona Jura traz isso com uma força enorme. Ela mostra que, mesmo enfrentando dificuldades, é possível sonhar e seguir em frente."

No Morro da Serrinha, o foco está em Sanã, Raimunda e Eliana, que mantêm viva a tradição dos batuques afro-brasileiros.

Já em Inhoaíba, o grupo Fruta do Pé destaca a importância da família e do reencontro entre gerações, com os griôs Eloy, Paulo e Marly, todos mostrando trajetórias de resistência e ternura.

Para Wallace Silva, produtor do projeto, registrar essas vozes é vital. "Durante séculos, o conhecimento dos griôs era transmitido apenas pela oralidade. Agora, adaptamos essa prática aos dias atuais. É um intercâmbio entre gerações que não se perde com o tempo, porque está em audiovisual", explica.

Dandara complementa: "Falamos muito do passado, mas eu sempre pergunto: quais são seus sonhos? Porque quem está vivo ainda sonha. Essas pessoas são bibliotecas vivas, e cada fala é um ensinamento."

Com respeito e uma escuta atenta, Avós da Comunidade vai além de resgatar memórias, construindo pontes entre tempos, afetos e territórios.

"É bonito ver como eles se emocionam ao contar e como nós nos reconhecemos nas histórias deles", diz Dandara, sorrindo. "Afinal, somos todos parte dessa grande família chamada memória."

A série, com novos episódios toda sexta-feira a partir das 15h, pode ser vista no canal Avós da Comunidade no YouTube.

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