Desde 2019, o salário médio dos profissionais de animação no Brasil sofreu um declínio de 12,1%, diminuindo de 7.980 reais para 7.010 reais. A maioria desses trabalhadores são freelancers, atuando sem vínculos empregatícios e direitos assegurados por lei, principalmente em pequenas empresas. Este dado provém do 2º Mapeamento da Animação no Brasil, elaborado pelo Instituto Iniciativa Cultural, que também destaca a importância crucial de verbas federais para o setor. A pesquisa aponta ainda que poucos dos profissionais têm experiência com trabalhos internacionais. A quantidade que consegue internacionalizar suas criações é ainda menor. Para realizar o estudo, foi necessário um ano e dois meses, apoiado pela Lei Paulo Gustavo e pela Spcine, empresa de cinema e audiovisual de São Paulo. O levantamento contou com a participação de 466 profissionais, incluindo produtores, estúdios, prestadores individuais e realizadores audiovisuais. Na pesquisa, a coordenadora Alessandra Meleiro ressalta que a maioria dos profissionais possui uma carreira consolidada, com experiência entre 10 a 20 anos, e demonstra um conhecimento razoável em técnicas de inteligência artificial. Embora métodos mais tradicionais de animação, como o stop motion, tenham diminuído em uso, as ferramentas digitais continuam em alta. As barreiras geográficas também limitam os freelancers brasileiros, com apenas 2% trabalhando exclusivamente para o exterior e 53% dividindo suas atividades entre empresas nacionais e estrangeiras. Os Estados Unidos, Argentina, França, Índia e Peru são os países em destaque para serviços de animação. Contudo, o câmbio desfavorável e a disponibilidade de talento local estão entre os fatores que dificultam a exportação de serviços. Apesar disso, Meleiro afirma que o Brasil possui um potencial inexplorado tanto no mercado doméstico quanto no exterior, e observa que a região Sul do país tem se destacado e descentralizado as atividades do setor. Entre as oportunidades de carreira na animação, destacam-se cargos como animador 3D, diretor de animação e produtor executivo, que são escassos pela falta de profissionais qualificados. No entanto, Meleiro destaca a importância de participação em eventos internacionais que podem trazer oportunidades de coprodução e aumentar a valorização do trabalho dos brasileiros.