A Polícia Civil de Mato Grosso lançou, na manhã desta terça-feira, 7 de abril de 2026, a Operação Coroa Quebrada, com o objetivo de cumprir 21 determinações judiciais direcionadas a uma organização criminosa. Este grupo é apontado como responsável por uma série de delitos, incluindo tráfico de drogas, associação para o tráfico e homicídios qualificados, especialmente em decorrência de disputas territoriais com uma facção rival na cidade de Cáceres e áreas adjacentes.
A ação policial visa executar quatro mandados de prisão preventiva e 17 mandados de busca e apreensão. Essas ordens foram emitidas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias, após uma manifestação favorável do Ministério Público de Cáceres. As diligências estão sendo realizadas em diversas localidades do estado: Cáceres, Cuiabá, Rondonópolis e Nova Mutum.
Um dos principais alvos da operação é uma mulher identificada como a líder da facção na região. Atualmente, ela se encontra detida na Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, localizada em Cuiabá.
As investigações, conduzidas pela Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco) de Cáceres, com o apoio da Delegacia Especializada de Repressão a Narcóticos (Denarc) de Cuiabá, revelaram que a organização criminosa possui uma estrutura bem definida. O grupo é caracterizado por sua hierarquia e pela clara divisão de tarefas entre seus membros, que somam pelo menos 28 indivíduos.
O foco principal das atividades do grupo criminoso era a prática de tráfico ilícito de drogas, associação para o tráfico, organização criminosa e homicídios qualificados. Esses crimes, em grande parte, eram motivados pela intensa disputa territorial com uma facção criminosa adversária.
A apuração detalhada permitiu compreender o modus operandi do grupo, destacando a liderança exercida pela mulher. Ela era a responsável por orquestrar mortes, determinar punições e coordenar a distribuição de armamentos. Mesmo já estando presa, devido a uma condenação anterior por homicídio qualificado, a líder continuava a ordenar execuções contra membros da facção rival e a administrar o tráfico de entorpecentes em Cáceres, mantendo comunicação constante com seus superiores hierárquicos.
Os demais indivíduos identificados como alvos da operação desempenhavam funções específicas dentro da facção. Entre eles, estavam os armeiros, encarregados de fornecer armas e munições; os executores de homicídios, que agiam sob o comando direto da líder; os responsáveis pela logística de transporte de drogas e armas; e aqueles envolvidos no roubo de veículos, utilizados para beneficiar a organização criminosa.
A estrutura demonstra sofisticação e periculosidade, com utilização de aplicativos de mensagens para coordenar ataques e ordenar execuções.
A declaração foi feita pelo delegado da Draco de Cáceres, Fabrício Alencar, responsável pelas investigações.
O nome da Operação, Coroa Quebrada, é uma alusão à líder do grupo, que era conhecida pelo apelido de “Princesa”. A denominação simboliza a desarticulação de sua influência e atuação por meio da ação da Polícia Civil.
Esta operação está inserida no planejamento estratégico da Polícia Civil de Mato Grosso para o ano de 2026, como parte da Operação Pharus. Esta iniciativa, por sua vez, integra o Programa Tolerância Zero, que tem como finalidade combater de forma rigorosa as facções criminosas em todo o estado.
Adicionalmente, a Operação Coroa Quebrada faz parte das ações da Rede Nacional de Unidades Especializadas de Enfrentamento das Organizações Criminosas (Renorcrim). Essa rede congrega delegados titulares de unidades especializadas e promotores públicos de todos os 26 estados brasileiros, além do Distrito Federal. A coordenação da Renorcrim é de responsabilidade do Ministério da Justiça e Segurança Pública, através da Diretoria de Inteligência e Operações Integradas (Diopi) da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), com o objetivo de desenvolver estratégias de inteligência para um combate eficaz e duradouro à criminalidade organizada.