A Polícia Civil do Mato Grosso realizou, na manhã desta quarta-feira, 22 de abril de 2026, a Operação Broquel, com o objetivo de cumprir mandados judiciais relacionados a um esquema de apropriação indevida de benefícios financeiros de internos da Casa de Acolhimento Rogina Marques de Arruda, vinculada à Prefeitura de Várzea Grande.
As ordens judiciais, expedidas pela Segunda Vara Criminal de Várzea Grande, incluem busca e apreensão domiciliar e afastamento de sigilo de dados em aparelhos eletrônicos. O principal alvo da operação é o ex-gerente da unidade, que esteve no cargo até 2024 e é suspeito de cometer, de maneira reiterada, crimes de peculato majorado.
Segundo apuração conduzida pela Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor), o investigado teria se aproveitado da posição de superioridade hierárquica e da confiança estabelecida com os acolhidos para se apropriar indevidamente de documentos pessoais, cartões bancários e benefícios assistenciais dos internos.
De acordo com os depoimentos coletados, o ex-gerente efetuava saques totais dos benefícios e contratava empréstimos bancários não autorizados em nome das pessoas acolhidas, que se encontram em extrema vulnerabilidade social e psicológica.
Entre as vítimas estão indivíduos que viviam ou já viveram em situação de rua, pessoas analfabetas, portadoras de dificuldades de comunicação, dependentes químicos e alcoólicos, além de pessoas com enfermidades psiquiátricas. Essas condições, somadas, aumentam significativamente o grau de vulnerabilidade das vítimas.
Em um dos episódios investigados, foi identificado um empréstimo consignado superior a dezesseis mil reais, firmado em nome de um dos acolhidos, com indícios de irregularidade na formalização do contrato.
Além das irregularidades financeiras, foram apresentadas denúncias de que o responsável pela unidade utilizava a força de trabalho dos internos em atividades não remuneradas em sua propriedade particular, recorrendo a práticas de intimidação e coação psicológica para garantir o controle dos valores desviados.
Em decorrência das investigações, a Justiça determinou a suspensão do exercício da função pública pelo principal investigado, que atualmente ocupava outro cargo na Secretaria Municipal de Saúde de Várzea Grande. Também foi estabelecida a proibição de nomeação ou contratação do suspeito para qualquer cargo pelo Poder Público Municipal.
Entre as medidas cautelares estabelecidas estão: impedimento de contato do investigado com vítimas e testemunhas e vedação de acesso a todos os prédios e dependências da Secretaria Municipal de Assistência Social de Várzea Grande.
A Casa de Acolhimento Rogina Marques de Arruda constitui um serviço público diretamente ligado à Secretaria Municipal de Assistência Social de Várzea Grande, destinado ao abrigo de homens adultos em situação de rua.
O regulamento interno da unidade veda a retenção de documentos ou valores como condição para permanência dos acolhidos, determinando que todos os pertences sejam guardados de forma segura e devolvidos integralmente aos assistidos.
As diligências seguem com análise do material apreendido e busca de identificação de outras possíveis vítimas do esquema.
O nome da operação, "Broquel", faz referência a um escudo de proteção, simbolizando a intenção de não apenas responsabilizar os envolvidos pelos desvios de recursos públicos e privados, mas também de interromper o ciclo de violações contra pessoas em estado de extrema vulnerabilidade social e jurídica.
A Operação Broquel integra o conjunto de ações do planejamento estratégico da Polícia Civil de Mato Grosso para o ano de 2026, no âmbito da Operação Pharus e do Programa Tolerância Zero, implementado pelo Governo do Estado.