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Dia Mundial do Rim: Doença renal é prioridade global e exige atenção

OMS reconhece enfermidade crônica como prioridade mundial; especialistas alertam para a importância da prevenção, diagnóstico e sustentabilidade

12/03/2026 às 16:07
Por: Redação

Em maio de 2025, a Organização Mundial da Saúde (OMS) elevou a doença renal ao patamar de prioridade mundial em saúde pública. Com essa decisão, a doença renal crônica (DRC) passou a integrar o seleto grupo das doenças crônicas não transmissíveis prioritárias, posicionando-se ao lado de enfermidades como as cardiovasculares, neoplasias, diabetes e as doenças respiratórias crônicas.

 

Para a Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), esse reconhecimento global é fundamental, pois amplifica a visibilidade da DRC e sublinha a urgência de investimentos contínuos em educação, programas de prevenção, diagnóstico precoce e tratamentos eficazes. No Dia Mundial do Rim, celebrado nesta quinta-feira, 12 de março de 2026, a entidade também destacou a influência significativa de fatores ambientais no risco de desenvolvimento de doenças renais ao longo da vida, demandando atenção.

 

“Esse tema amplia o olhar para além do tratamento, estimulando ações que promovam práticas sustentáveis no cuidado renal e reduzam impactos ecológicos, especialmente em serviços de saúde. Sustentabilidade, nesse contexto, significa também prevenção qualificada e redução de exposições evitáveis desde os primeiros estágios da vida”, destacou a instituição.


 

A Importância Vital dos Rins

 

Em entrevista exclusiva à Agência Brasil, o médico nefrologista Geraldo Freitas, que atua no Hospital Universitário de Brasília (HUB), sob a gestão da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), enfatizou o papel crucial dos rins. Ele explicou que esses órgãos são essenciais para o funcionamento equilibrado do organismo, pois atuam na filtragem do sangue e na eliminação de toxinas nocivas por meio da urina, mantendo a saúde interna.

 

Freitas detalhou ainda que os rins exercem um controle rigoroso sobre o balanço de eletrólitos e sais corporais, como sódio, potássio e cálcio, assegurando que todos os sistemas do corpo funcionem adequadamente. O especialista acrescentou que esses órgãos são responsáveis pela produção de hormônios vitais, que desempenham um papel direto na regulação e manutenção da pressão arterial, um aspecto crucial.

 

Identificando Fatores de Risco e Sinais de Alerta

 

Contudo, o médico alerta para diversas condições que podem comprometer severamente a funcionalidade renal ou, em casos mais graves, levar à paralisação completa dos rins. Geraldo Freitas aponta a existência de fatores de risco específicos que contribuem diretamente para o surgimento e a progressão de quadros renais complexos, exigindo vigilância constante para sua identificação e manejo precoce. Entre eles, destacam-se:

  • diabetes mellitus;
  • hipertensão arterial sistêmica;
  • histórico familiar de doença renal;
  • obesidade;
  • sedentarismo;
  • tabagismo;
  • uso crônico ou inadequado de anti-inflamatórios não esteroidais e outros nefrotóxicos;
  • doenças cardiovasculares;
  • infecções do trato urinário recorrentes ou obstrução urinária;
  • desidratação frequente;
  • consumo inadequado de água.

 

O nefrologista ressaltou também o perigo de certos medicamentos nefrotóxicos que, com o tempo, podem ocasionar a perda da função renal. Ele alertou, em especial, para os anti-inflamatórios não hormonais, cujo uso deve ser geralmente evitado. Para pacientes que necessitam desses fármacos, é imprescindível que haja um monitoramento rigoroso e contínuo da função renal, minimizando riscos.

 

Freitas explicou que as doenças renais muitas vezes progridem de forma assintomática, sem que o paciente perceba a gravidade do quadro. É comum que indivíduos cheguem ao consultório de nefrologia já com perdas significativas da função renal na primeira avaliação. Por isso, a capacidade de identificar precocemente os sinais de alerta se torna um diferencial para um tratamento eficaz.

 

“É importante fazer os exames para rastreio das funções renais, que são basicamente a creatinina e um exame de urina, incluindo a pesquisa de albuminúria. Com esses exames básicos, já é possível fazer o rastreio de alguma lesão ainda no início. Também é relevante fazer a aferição da pressão e exames de glicemia e hemoglobina glicada para avaliação de uma possível diabetes.”


 

Dentre os principais sintomas que, de acordo com o nefrologista, indicam a necessidade de procurar ajuda médica estão:

  • inchaço nas pernas, nos tornozelos e no rosto;
  • urina muito escura e/ou espumosa;
  • mudança súbita no padrão urinário, incluindo frequência e urgência;
  • inversão do ritmo urinário, com maior volume urinário no período noturno;
  • dor intensa no flanco ou cólicas renais;
  • fadiga excessiva;
  • perda de apetite acompanhada de náuseas e vômitos persistentes;
  • aumento persistente da pressão arterial;
  • glicemias de difícil controle;
  • alterações neurológicas agudas, com presença de confusão mental ou falta de ar súbita.

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