Em maio de 2025, a Organização Mundial da Saúde (OMS) elevou a doença renal ao patamar de prioridade mundial em saúde pública. Com essa decisão, a doença renal crônica (DRC) passou a integrar o seleto grupo das doenças crônicas não transmissíveis prioritárias, posicionando-se ao lado de enfermidades como as cardiovasculares, neoplasias, diabetes e as doenças respiratórias crônicas.
Para a Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), esse reconhecimento global é fundamental, pois amplifica a visibilidade da DRC e sublinha a urgência de investimentos contínuos em educação, programas de prevenção, diagnóstico precoce e tratamentos eficazes. No Dia Mundial do Rim, celebrado nesta quinta-feira, 12 de março de 2026, a entidade também destacou a influência significativa de fatores ambientais no risco de desenvolvimento de doenças renais ao longo da vida, demandando atenção.
“Esse tema amplia o olhar para além do tratamento, estimulando ações que promovam práticas sustentáveis no cuidado renal e reduzam impactos ecológicos, especialmente em serviços de saúde. Sustentabilidade, nesse contexto, significa também prevenção qualificada e redução de exposições evitáveis desde os primeiros estágios da vida”, destacou a instituição.
Em entrevista exclusiva à Agência Brasil, o médico nefrologista Geraldo Freitas, que atua no Hospital Universitário de Brasília (HUB), sob a gestão da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), enfatizou o papel crucial dos rins. Ele explicou que esses órgãos são essenciais para o funcionamento equilibrado do organismo, pois atuam na filtragem do sangue e na eliminação de toxinas nocivas por meio da urina, mantendo a saúde interna.
Freitas detalhou ainda que os rins exercem um controle rigoroso sobre o balanço de eletrólitos e sais corporais, como sódio, potássio e cálcio, assegurando que todos os sistemas do corpo funcionem adequadamente. O especialista acrescentou que esses órgãos são responsáveis pela produção de hormônios vitais, que desempenham um papel direto na regulação e manutenção da pressão arterial, um aspecto crucial.
Contudo, o médico alerta para diversas condições que podem comprometer severamente a funcionalidade renal ou, em casos mais graves, levar à paralisação completa dos rins. Geraldo Freitas aponta a existência de fatores de risco específicos que contribuem diretamente para o surgimento e a progressão de quadros renais complexos, exigindo vigilância constante para sua identificação e manejo precoce. Entre eles, destacam-se:
O nefrologista ressaltou também o perigo de certos medicamentos nefrotóxicos que, com o tempo, podem ocasionar a perda da função renal. Ele alertou, em especial, para os anti-inflamatórios não hormonais, cujo uso deve ser geralmente evitado. Para pacientes que necessitam desses fármacos, é imprescindível que haja um monitoramento rigoroso e contínuo da função renal, minimizando riscos.
Freitas explicou que as doenças renais muitas vezes progridem de forma assintomática, sem que o paciente perceba a gravidade do quadro. É comum que indivíduos cheguem ao consultório de nefrologia já com perdas significativas da função renal na primeira avaliação. Por isso, a capacidade de identificar precocemente os sinais de alerta se torna um diferencial para um tratamento eficaz.
“É importante fazer os exames para rastreio das funções renais, que são basicamente a creatinina e um exame de urina, incluindo a pesquisa de albuminúria. Com esses exames básicos, já é possível fazer o rastreio de alguma lesão ainda no início. Também é relevante fazer a aferição da pressão e exames de glicemia e hemoglobina glicada para avaliação de uma possível diabetes.”
Dentre os principais sintomas que, de acordo com o nefrologista, indicam a necessidade de procurar ajuda médica estão: