O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, admitiu recentemente que a Operação Contenção, realizada nos complexos do Alemão e da Penha, excedeu os "limites e competências" do governo estadual. Durante uma entrevista, Castro explicou que, mesmo ciente dos excessos, as ações podem continuar seguindo esta linha, se consideradas necessárias para garantir a segurança dos cidadãos. Até o momento, a operação resultou em 64 mortes, incluindo quatro policiais, mais de 80 prisões, e a apreensão de 75 fuzis, pistolas e granadas.
Castro apelou por maior apoio do governo federal na luta contra as organizações criminosas, destacando que o estado do Rio de Janeiro está enfrentando esse desafio praticamente de forma isolada. O governador descreveu a operação mais como uma questão de defesa do que de segurança pública, e sugeriu que o envolvimento das Forças Armadas poderia ser necessário.
Planejada ao longo de seis meses após extensas investigações, a operação também contou com a aprovação do Poder Judiciário e o acompanhamento do Ministério Público estadual. No entanto, o governo estadual não requisitou auxílio federal na operação devido a negativas anteriores ao pedido de blindados militares.
Castro criticou a complexidade para obter apoio federal, já que a Advocacia-Geral da União condicionou o apoio à decretação de uma Garantia da Lei e da Ordem (GLO), o que requereria um decreto presidencial. Considerando a posição contrária do presidente Luiz Inácio Lula da Silva às GLOs, o governador revelou que optar por não insistir em pedidos de apoio militar.
Embora o estado do Rio tenha recebido apoio da Força Nacional de Segurança e recursos financeiros para segurança e sistema penitenciário, Castro sublinhou que a integração é necessária para enfrentar as organizações criminosas de maneira eficaz. O Ministério da Justiça destacou que, de 2019 a 2025, transferiu quase 288 milhões de reais para o estado, mas nem todo o montante foi utilizado.
O cenário reflete a necessidade de maior colaboração entre governos estadual e federal, com o objetivo de aumentar a eficiência das operações e melhorar a segurança pública no Rio de Janeiro e em outras regiões.