Em uma crescente batalha entre as esferas estadual e judicial do Brasil, as operações policiais no Rio de Janeiro levantaram preocupações significativas sobre a letalidade e a condução de ações de segurança. Encerrada recentemente, a Operação Contenção tornou-se um ponto focal de discussão, ao registrar mais de 120 mortes em seus esforços supostamente voltados a combater o Comando Vermelho. O episódio reviveu a pauta em torno da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) nº 635, também conhecida como ADPF das Favelas, imposta pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em uma tentativa de reduzir a violência policial nas comunidades cariocas. Esta decisão, resultado de um julgamento iniciado em 2019, inclui diretrizes como a instalação de câmeras nas viaturas policiais e utilização proporcional da força, além de exigir presença de ambulâncias durante operações. Entretanto, as diretrizes parecem estar em xeque após a controversa operação. O governador Claudio Castro expressou publicamente seu descontentamento com o STF, classificando a ADPF como "maldita", enquanto instituições como a Defensoria Pública e o Conselho Nacional do Ministério Público começam a escrutinar o cumprimento das medidas impostas pelo Supremo. Com o tema novamente em pauta, o ministro Alexandre de Moraes agendou audiências para esclarecer os eventos e ações do governo estadual. A tensão entre o STF e o governo do Rio não só expõe falhas no controle da violência urbana, mas também levanta questões sobre a eficácia e implementação das decisões judiciais em cenários de conflito constante.