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PRF realiza operação inédita contra violência nas rodovias

Primeira atuação específica da PRF teve foco na proteção de mulheres.

13/10/2025 às 20:37
Por: Redação

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) prendeu 83 pessoas entre os dias 3 e 10 de outubro de 2025, em ações por todo o Brasil, por crimes de violência contra mulheres. Essa iniciativa foi parte da Operação Alerta Lilás, realizada em comemoração ao Dia Nacional de Luta contra a Violência à Mulher, no dia 10 de outubro.

Esta foi a primeira vez que a PRF executou uma operação específica em rodovias federais com foco na repressão a crimes contra mulheres. Os mandados foram cumpridos contra indivíduos condenados judicialmente por crimes como feminicídio, estupro, agressão e tentativa de homicídio.

Durante uma coletiva de imprensa, Antonio Fernando Oliveira, diretor-geral da PRF, enfatizou a necessidade de combater todos os crimes, destacando aqueles ligados à violência de gênero.

"Os crimes contra as mulheres devem ser combatidos, sim, de forma prioritária porque é alguém mais vulnerável, com mais dificuldade de defesa, sendo atacada por alguém que deveria protegê-la. Para nós, da PRF, é algo verdadeiramente reprovável, que precisa ter atenção na repressão desses crimes."

Inteligência e tecnologia

O Alerta Lilás implica na ativação de alertas no sistema de consulta criminal da PRF, que está conectado ao Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões (BNMP), do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Este banco de dados suporta a fiscalização em pontos estratégicos do país, incluindo postos de abastecimento e praças de pedágio, e pode ser acessado por agentes da PRF em mais de 300 unidades operacionais em todo o Brasil.

De acordo com Nádia Zilotti, diretora de inteligência da PRF, a abordagem de suspeitos em rodovias difere de quando os mesmos estão em áreas urbanas. Dados são cruzados para localizar mandados ativos, e é aplicado um modelo de policiamento baseado em inteligência.

“Por meio do monitoramento de fluxo de veículos, conseguimos identificar se um indivíduo provavelmente está em alguma rodovia federal. A inteligência sugere a abordagem para o efetivo operacional. [O agente] faz a abordagem como de costume, analisa os documentos do veículo e, confirmando que há mandado de prisão em aberto, encaminha à polícia judiciária.”

Prisões

Das 27 unidades da federação, apenas Alagoas não registrou prisões durante a Operação Alerta Lilás. Das 83 detenções, um total de 54 foram realizadas por não pagamento de pensão alimentícia, crime patrimonial contra vulnerável previsto no Código Penal Brasileiro.

Nádia Zilotti reforça que, apesar de ser um crime de menor potencial ofensivo, a prisão por inadimplência de pensão alimentícia é crucial, pois muitas mulheres continuam sendo vítimas de violência por dependência econômica.

“Nós vemos a sensação de impunidade que resulta deste inadimplemento, deixando mães e essas crianças mais vulneráveis e, muitas vezes, mais sujeitas à violência, visto que se tornam dependentes desse ciclo e dessa pessoa que comete a violência.”

Os outros mandados de prisão envolveram os seguintes crimes:

  • Estupro de vulnerável: 7 mandados;
  • Homicídio, feminicídio e tentativa de homicídio: 6 mandados;
  • Lesão corporal (com aumento de pena): 6 mandados;
  • Descumprimento de medida protetiva: 5 mandados;
  • Ameaça e violência doméstica: 3 mandados;
  • Apropriação indébita com violência patrimonial: 1 mandado.

Das prisões realizadas, 47% ocorreram em rodovias federais com maiores extensões, como a BR-101, com 14 detenções, seguida pela BR-364, com 9.

Mandados também foram executados na BR-070 (6), BR-163 (5) e BR-230, com 5 prisões, conforme detalhado por Marcus Vinicius Almeida, diretor de Operações da PRF.

“Pelo objetivo da operação, acreditamos que a quantidade de apreensões na BR-101, que é litorânea, teve uma maior influência nas prisões. A diferença é que na BR-116 há um grande fluxo de veículos de grande porte.”

Notificação

A subnotificação ainda é um desafio no enfrentamento à violência contra a mulher no Brasil. O Mapa Nacional da Violência de Gênero, criado pelo Observatório da Mulher contra a Violência do Senado junto com o Instituto DataSenado, apontou que a subnotificação em casos de violência doméstica e familiar pode atingir 61%.

Para informações e denúncias sobre violência contra mulheres, a Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180 está disponível 24 horas por dia, todos os dias da semana, por chamada ou via chat no WhatsApp (61) 9610-0180. Em emergências, a Polícia Militar deve ser contatada pelo 190.

Com informações da repórter da Rádio Nacional, Priscilla Mazenotti.

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