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Comércio volta a crescer após meses de queda

Aumento de 0,2% é visto como estabilidade pelo IBGE, sem indicar recuperação.

15/10/2025 às 13:59
Por: Redação

Economia

Após quatro meses consecutivos de declínio, as vendas no comércio mostraram sinais positivos com um aumento de 0,2% de julho para agosto. No entanto, para o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que divulgou os dados na última quarta-feira (15), esse crescimento ainda é considerado estabilidade, já que está abaixo de 0,5%.

Cristiano Santos, gerente da pesquisa, comentou que, embora a continuidade da queda tenha parado, este não deve ser considerado um ponto de "virada de chave" para o setor. De fato, comparado ao mesmo período do ano passado, o aumento foi de apenas 0,4%.

Apesar desse resultado positivo, o setor continua 0,7% abaixo do pico histórico registrado em março de 2025, mas está 9,4% acima do nível pré-pandêmico de fevereiro de 2020. Nos últimos doze meses, o crescimento acumulado no comércio varejista foi de 2,2%, demonstrando uma tendência de desaceleração desde dezembro de 2024, quando o aumento foi de 4,1%.

Cinco dos oito segmentos apontados no levantamento do IBGE apresentaram aumento entre julho e agosto. Entre eles, destacam-se os equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação, que cresceram 4,9%, enquanto o setor de tecidos, vestuário e calçados aumentou 1,0%. Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria avançaram 0,7%, e os setores de móveis e eletrodomésticos, hipermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo ficaram ambos em 0,4% de crescimento.

Por outro lado, os setores de livros, jornais, revistas e papelaria, combustíveis e lubrificantes e outros artigos de uso pessoal e doméstico registraram quedas de -2,1%, -0,6% e -0,5%, respectivamente.

Entre os fatores que contribuíram positivamente, destaca-se a desvalorização do dólar, que tornou mais baratos os produtos com componentes importados, beneficiando o segmento de equipamentos e materiais para escritório. Além disso, as vendas de calçados foram impulsionadas pelas promoções do Dia dos Pais.

O período também foi marcado por uma inflação negativa de -0,11% em agosto, ajudando a balancear os custos. Apesar dos juros elevados, houve um aumento de 1,5% no volume de empréstimos para pessoas físicas comparado a julho, o que favoreceu o consumo.

O comércio varejista ampliado, que inclui atividades de atacado, observou um crescimento de 0,9% de julho a agosto, com um aumento acumulado de 0,7% em 12 meses. Esse levantamento do IBGE abrange dados de 6.770 empresas em todo o Brasil.

Cristiano Santos concluiu que a pesquisa não identificou efeitos aparentes do "tarifaço americano" sobre as exportações brasileiras para os Estados Unidos em agosto. Ademais, outras divulgações conjunturais do IBGE apontaram que o setor de serviços cresceu 0,1% no mês, atingindo recorde, enquanto a indústria teve um aumento de 0,8% após quatro meses de estagnação.

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