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Desperdício Financeiro: Angra 3 Custa Caro ao Brasil

Usina com 60% concluída consome bilhões sem previsão de término.

22/10/2025 às 11:36
Por: Redação

A retomada das obras da Usina Nuclear Angra 3, localizada em Angra dos Reis, foi discutida em uma audiência pública na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), realizada na última terça-feira (21). Com 60% da construção concluída, as atividades estão interrompidas há 10 anos, resultando em um custo anual aproximado de 1 bilhão de reais para os cofres públicos.

Os debates se concentraram nos impactos financeiros desse projeto parado. A construção de Angra 3, que começou na década de 1980, está suspensa desde 2015, sem previsão definida para término. Conforme o Tribunal de Contas da União (TCU), se a conclusão não for encaminhada, os custos poderão exceder em até 43 bilhões de reais o valor inicial de 23 bilhões de reais.

O presidente da Comissão de Meio Ambiente, deputado Jorge Felippe Neto (Avante), ressaltou a importância das obras para o desenvolvimento estadual. “Angra 3 é fundamental para nosso sonho de autonomia energética, capaz de gerar 1.405 megawatts e abastecer mais de 4,5 milhões de residências. No entanto, o governo federal vem adiando a conclusão do projeto, que já consumiu 21 bilhões de reais e ainda requer novos investimentos para finalização”, afirmou.

O deputado Marcelo Dino (União) destacou o potencial de geração de empregos com a retomada. “Hoje, Angra 3 gera cerca de 400 empregos, mas, se a obra for retomada, esse número pode chegar a 3.500 funcionários. Terminar essa usina representa um avanço econômico não apenas para Angra dos Reis, mas para todo o Estado do Rio de Janeiro e para o Brasil”, avaliou.

A representante da Associação de Trabalhadores da Nuclebrás Equipamentos Pesados, Flávia Azevedo, criticou o desperdício financeiro com a obra paralisada. “A usina já tem 60% das obras civis concluídas e equipamentos adquiridos, mas o Brasil ainda gasta cerca de 1 bilhão de reais por ano apenas para manter o projeto parado, um valor que poderia ser gasto para gerar empregos, renda e desenvolvimento para a Costa Verde”, disse.

Gabriela Borsato, diretora da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), enfatizou a necessidade de concluir as obras para que a usina se torne operacional e rentável. “Acreditamos que uma das formas de resolver a questão energética é por meio da energia nuclear. A usina, uma vez concluída, terá o investimento amortecido em 20 anos e, depois desse tempo, a tarifa cai em até 75%. Outro ponto é o fator de capacidade: a energia nuclear hoje gera 90%, enquanto as renováveis ficam em torno de 40%. É uma energia firme e de base, disponível 24 horas”, explicou a diretora.

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