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Indígenas Partem em Caravana Contra Agronegócio

Viagem busca expor efeitos nocivos da monocultura e logística na Amazônia.

25/10/2025 às 13:59
Por: Redação

Caravana da Resposta na Rota da Soja

Indígenas e movimentos sociais organizam a Caravana da Resposta, uma jornada de mais de 3 mil quilômetros entre Mato Grosso e Belém, em direção à 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30). Esta iniciativa tem como objetivo chamar atenção para os impactos negativos da monocultura e dos grandes corredores logísticos do agronegócio na Amazônia e no Cerrado.

Com mais de 300 pessoas de diversas organizações, povos e comunidades tradicionais participando, a caravana segue pela chamada "rota da soja". Durante o percurso, atos públicos, manifestações culturais e diálogos com comunidades locais estão planejados.

O barco usado na etapa final da viagem funcionará como alojamento e cozinha solidária em Belém, onde os participantes marcam presença na conferência. A iniciativa critica o modelo exportador que "concentra riquezas, destrói florestas e ameaça modos de vida", conforme os organizadores destacam.

A Aliança Chega de Soja, formada em 2024 e composta por mais de 40 entidades, promove a mobilização. Uma de suas metas é se opor a megaprojetos como a Ferrogrão, ferrovia que ligaria Sinop (MT) a Itaituba (PA) para escoar grãos e reduzir custos logísticos.

Estudos da Climate Policy Initiative (CPI) e da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ) indicam que a construção da Ferrogrão pode provocar o desmatamento de até 49 mil km² de floresta. O projeto, apoiado por corporações internacionais, está suspenso por uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) após pedido de vista do ministro Flávio Dino.

Além do Ferrogrão, os manifestantes se opõem a hidrovias nos rios Tapajós, Madeira e Tocantins. Eles pedem a promoção da agroecologia e da pesca artesanal, advogando por um modelo de infraestrutura que coloque as pessoas acima do lucro.

“Não vamos permitir que o interesse das grandes corporações destrua nossos rios e florestas”, afirma a liderança indígena Alessandra Munduruku. “Querem transformar nossos rios em hidrovias mortas, nossas casas em corredor logístico, e entregar nossas florestas para os ricos ganharem ainda mais com a soja. Mas nós vamos defender nossos territórios, pois disso depende o futuro de todos.”

A Caravana da Resposta também promove alternativas agroecológicas e sistemas de sociobiodiversidade, defendendo a valorização da produção de pequenos agricultores e comunidades tradicionais. O percurso de 14 dias ocorre tanto por terra, na BR-163 (“rodovia da soja”), quanto por água, nos rios Tapajós e Amazonas, com paradas em portos como Miritituba e Santarém para interações com comunidades locais.

Em Belém, os participantes se unirão à Cúpula dos Povos e à COP do Povo para promover o protagonismo dos povos da floresta e das comunidades tradicionais na formulação de uma agenda climática justa e inclusiva.

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