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Iniciativas Globais Visam Redução Efetiva de Emissões no COP30

Estratégias incluem fundos para florestas e mercado de carbono global.

15/10/2025 às 12:58
Por: Redação

Finanças Sustentáveis

José Alexandre Scheinkman, economista e professor na Universidade de Columbia, além de membro do conselho consultivo de finanças da presidência da COP30, destaca a importância do multilateralismo para resolver o financiamento climático para países em desenvolvimento.

“A COP é o caminho. É um ótimo lugar para ter ideias, criar e tentar propor ideias”, afirmou durante uma coletiva de imprensa na terça-feira, dia 14, em Brasília, durante o evento Pré-COP.

O economista argumenta que antes de estabelecer valores para o financiamento climático, é crucial definir etapas anteriores. O montante de 1,3 trilhões de dólares, frequentemente citado nos encontros multilaterais, pode não ser um número real.

“Um economista pensa numa meta onde quer chegar. Neste caso é alcançar net-zero [neutralidade nas emissões de gases do efeito estufa]. Depois a gente vem com projetos baratos, já que a quantidade de dinheiro é escassa, e depois a gente descobre quanto custa”, concluiu.

Dentre as estratégias sugeridas pelo grupo de economistas que assessoram a COP30, estão projetos como o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), o Ecoinvest, a criação de uma coalizão global para um mercado de carbono, e a transferência de subsídios dos combustíveis fósseis para energias renováveis.

Scheinkman coloca que estas ideias, embora ainda não formalmente adotadas pelos países do Acordo de Paris, podem contribuir significativamente para a redução das emissões globais, desde que países cruciais participem.

“O lugar onde a gente corta emissões é completamente irrelevante. O importante é quanto você corta no agregado de emissões. Uma tonelada de gás carbônico equivalente (CO2e) que você corta no Brasil, tem o mesmo impacto de uma tonelada de CO2e na China”, observou.

Ele menciona que o modelo da União Europeia, onde países mais capazes financeiramente têm cotas maiores e assistem os menos capazes, pode ser uma inspiração global. “A União Europeia definiu o valor das emissões que querem ter até um determinado ano e eles têm uma maneira de distribuir essas cotas [de redução de emissões] que privilegiam países menos desenvolvidos. Esse processo permite uma redistribuição e ao mesmo tempo atinge eficiência,” explicou.

Apesar de ideias promissoras, interesses nacionais ou regionais podem desafiar a implementação de um modelo global. Até mesmo países da União Europeia mostraram reservas em se juntar a uma coalizão global de mercado de carbono ou a fundos como o TFFF.

Um obstáculo citado é a falta de um padrão para medir créditos de carbono provenientes de florestas restauradas, necessitando de uma comissão para medir e verificar a contabilidade de carbono com independência.

Nos Estados Unidos, questões ideológicas bloqueiam a participação em tais iniciativas. Entretanto, Scheinkman vê vantagens como a possibilidade de gerar crédito de carbono em áreas de floresta tropical incentivarem a adesão.

Na África, por exemplo, a mudança de lenha para métodos de cocção menos prejudiciais pode gerar créditos de carbono com baixo custo, mas falta orçamento para essas mudanças.

Por fim, gerar crédito de carbono fora dos próprios países pode ser mais barato do que reduzir a produção interna, mas ainda não garante interesse global. “Nosso papel é gerar ideias e a factibilidade é um problemas dos negociadores,” disse Scheinkman.

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