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Projeto social impulsiona autonomia de mulheres empreendedoras no Rio

Iniciativa do Instituto da Providência capacita mais de 1,7 mil mulheres em gastronomia, moda e beleza na Zona Oeste, transformando vidas através do empreendedorismo.

15/12/2025 às 16:04
Por: Redação

O Instituto da Providência, no Rio de Janeiro, tem capacitado mulheres da Zona Oeste para se tornarem empreendedoras, fomentando a autonomia financeira e a transformação social. O projeto “Mulher Potência Empreendedora” oferece cursos de formação profissional nas áreas de gastronomia, moda e beleza, com uma abordagem que integra mentoria especializada, noções de mercado e apoio socioemocional para enfrentar as diversas realidades enfrentadas por esse público.

 

Desde o seu lançamento em 2022, a iniciativa já beneficiou mais de 1,7 mil mulheres, fornecendo-lhes as ferramentas necessárias para desenvolver seus próprios negócios. Além da formação, o programa distribui um capital semente de 1,5 mil reais para cada participante, um incentivo crucial para fortalecer os empreendimentos iniciados e garantir um começo mais sólido no mercado.

 

Histórias de superação e crescimento profissional

Bruna Mariano, uma das participantes, exemplifica o impacto direto do projeto em sua vida. Antes de conhecer o Instituto da Providência por meio de uma assistente social, Bruna não possuía renda própria e morava de favor na casa da irmã. Após a capacitação, ela não apenas abriu seu próprio salão de tranças e se tornou instrutora na área, mas também conseguiu realizar o sonho de comprar sua própria casa, consolidando sua independência e estabilidade.


“Hoje posso dizer que a menina que chegou ao instituto foi acolhida e, com a força e tudo que eles me ensinaram, viveu a virada de chave da vida. Tudo que conquistei foi através do instituto e das pessoas que fazem esse projeto maravilhoso se tornar real, nos mostrando que podemos sair do nada, ser alguém e conquistar nosso espaço no mundo”, declarou Bruna Mariano sobre sua trajetória.


Outra história de sucesso é a de Cristina Gomes, que encontrou na capacitação em moda a saída para uma situação financeira delicada. Com o marido desempregado e dois filhos, a família dependia de programas assistenciais do governo, como o Bolsa Família. A formação permitiu que Cristina criasse sua própria marca de bolsas e acessórios sustentáveis, tornando-se a principal provedora do lar e garantindo o sustento familiar.


“Enfrento alguns desafios por ser mulher e mãe, nunca deixei de empreender. Toda minha renda familiar vem do que faço, jamais terei como pagar o Instituto da Providência pela mão amiga”, afirmou Cristina Gomes, ressaltando a gratidão pelo apoio recebido.


O público-alvo dos cursos é cuidadosamente selecionado, abrangendo mulheres com idades entre 18 e 60 anos, residentes de áreas de alta vulnerabilidade social e cuja renda familiar per capita esteja abaixo da linha da pobreza extrema. Essa segmentação garante que o projeto atinja quem mais precisa de apoio para reverter sua realidade socioeconômica.

 

O impacto na estrutura familiar e social

Uma análise de dados de 2024, realizada pelo próprio instituto, revela que o projeto atinge profundamente a estrutura familiar e social dessas comunidades. Dos dados coletados, 80% das beneficiárias são chefes de família, 76% têm mais de 30 anos, 79% se identificam como negras ou pardas e 54% não concluíram o ensino médio. Até o momento, a iniciativa resultou na criação de 684 novos negócios e concedeu 364 recursos para capital de giro, demonstrando a eficácia do modelo.

 

A diretora executiva do Instituto da Providência, Maria Garibaldi, explicou que o “Mulher Potência Empreendedora” surgiu de um profundo conhecimento do público-alvo e da compreensão do papel fundamental da mulher na sociedade, especialmente como chefe de família e responsável pelo lar. Essa percepção moldou a estrutura do projeto, que vai além da capacitação técnica.

 

Garibaldi destacou que o estigma social é um grande obstáculo para a inserção das mulheres no mercado de trabalho. O projeto atua em diversas frentes, não só na preparação profissional, mas também no suporte social, ajudando na reconstrução da autoestima e na superação de barreiras emocionais e psicológicas. A autonomia financeira, segundo ela, é um pilar essencial para o empoderamento feminino.


“A vulnerabilidade não é só financeira. Ela é uma vulnerabilidade de segurança no território. Ela é uma vulnerabilidade de segurança, muitas vezes, em casa. A gente lida com mulheres que sofrem violência doméstica. A gente lida com mulheres que não geram renda. E a autonomia financeira empodera a mulher”, concluiu Maria Garibaldi, enfatizando a importância do projeto em múltiplas dimensões da vida das participantes.


O sucesso do projeto ressalta a importância de iniciativas que combinam capacitação profissional com suporte social e financeiro, criando um ciclo virtuoso de desenvolvimento e empoderamento para mulheres em situação de vulnerabilidade.

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