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Auxílio do TFD Não Cobre Despesas Básicas de Pacientes

Beneficiários relatam dificuldades para arcar com alimentação e hospedagem essenciais.

16/10/2025 às 18:23
Por: Redação

Saúde

José Ferreira, residente em Naviraí, enfrenta grandes desafios ao buscar tratamento médico em outros estados. Após nove anos de hemodiálise, ele recebeu seu primeiro transplante de rim em 2020, que não foi bem-sucedido. Em 2023, precisou de um novo transplante, realizado em São Paulo, onde ainda é acompanhado regularmente. José, que é deficiente visual, tem sempre a companhia da esposa, que o apoia em todas as fases do tratamento. Após o segundo transplante, eles precisaram permanecer em São Paulo por 90 dias para os cuidados iniciais e, desde então, retornam a cada três meses para revisões médicas, enfrentando desafios financeiros e logísticos a cada viagem.

José destaca que o auxílio oferecido pelo Tratamento Fora de Domicílio (TFD) é insuficiente para as despesas básicas de alimentação e hospedagem. "O valor é muito baixo, não dá pra pagar hotel e nem comer direito. A gente compra uma marmita pequena e divide pra nós dois, porque não tem outro jeito", relatou. Em São Paulo, José paga aproximadamente 120 reais por noite em uma hospedagem simples. "E nem é um lugar com conforto, é bem básico, mas é o que a gente consegue pagar", completou. A realidade de José é comum a muitos pacientes de Mato Grosso do Sul que dependem do TFD para tratamentos de média e alta complexidade em outros estados.

Durante uma sessão na Assembleia Legislativa, a deputada estadual Lia Nogueira (PSDB) solicitou ao Ministério da Saúde um reajuste urgente dos valores do TFD, que não são atualizados há mais de 20 anos. Lia também pediu que o Governo do Estado de Mato Grosso do Sul avaliasse a possibilidade de complementar, com recursos próprios, os benefícios para os pacientes enquanto não houver uma atualização federal.

Lia enfatizou que o TFD é crucial para garantir o acesso universal à saúde, permitindo o deslocamento necessário de pacientes e acompanhantes para tratamentos indisponíveis em suas cidades de origem. A deputada ressaltou que os valores atuais, fixados há mais de duas décadas, são incompatíveis com o custo de vida atual.

De acordo com as portarias do Ministério da Saúde, o auxílio para alimentação sem pernoite é de 8,40 reais e, com pernoite, de 24,75 reais. Para Lia, isso prejudica a dignidade humana dos pacientes, impondo-lhes condições difíceis enquanto enfrentam doenças graves. "Estamos falando de pessoas que precisam se deslocar centenas de quilômetros para buscar atendimento. É urgente que o Governo Federal atualize essa tabela e que o Estado avalie formas de garantir uma complementação justa, até que essa correção aconteça", afirmou.

Lia Nogueira concluiu enfatizando que atualizar a tabela do TFD vai além de um ajuste administrativo; é uma demonstração de respeito aos cidadãos que lutam diariamente por tratamento digno e adequado, independentemente de onde vivem.

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