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Brasil em alerta com 34 novos casos de sarampo

Ministério da Saúde intensifica ações para conter o avanço da doença

14/10/2025 às 21:51
Por: Redação

O Ministério da Saúde emitiu um alerta para que estados e municípios ampliem a vigilância e as ações em relação a pessoas que apresentem sintomas de sarampo. Conforme informado pela pasta, até a Semana Epidemiológica 38, que compreende o período de 29 de setembro a 5 de outubro, foram confirmados 34 casos neste ano. A principal preocupação é evitar o retorno do vírus ao país.

Dos casos confirmados, nove foram de pessoas que voltaram do exterior, 22 foram infectados por contato com esses indivíduos e três têm características genéticas compatíveis com o vírus em circulação em outros países. Atualmente, Tocantins, Maranhão e Mato Grosso são considerados estados em surto de sarampo.

A diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Isabella Ballalai, destacou que a baixa cobertura vacinal é um dos principais fatores para o reaparecimento do sarampo no Brasil. “Os casos importados aconteciam, tanto de estrangeiros vindo para cá quanto de brasileiros que viajaram e contraíram sarampo. No entanto, a situação era controlada devido à boa vigilância. Antes, o vírus chegava e encontrava todos vacinados, impedindo surtos. Agora, há muitas pessoas suscetíveis”, afirmou a especialista.

Surtos Atuais

O surto em Tocantins começou em julho no município de Campos Lindos, impulsionado pelo retorno de quatro brasileiros da Bolívia. A comunidade, com baixa adesão à vacinação, permitiu a rápida propagação. No Maranhão, um caso foi confirmado em Carolina, envolvendo uma mulher de 46 anos, não vacinada, que teve contato com moradores de Campos Lindos.

Os casos em Mato Grosso também resultaram de brasileiros que estiveram na Bolívia. Em Primavera do Leste, o surto afetou uma família de três pessoas, todas não vacinadas.

Situação da Vacinação

Dados da Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS) mostram que, em 2024, o Brasil atingiu 95,7% de cobertura para a primeira dose da tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) e 74,6% para a segunda dose. Em 2025, esses índices caíram, ficando abaixo da meta de 95%, com coberturas de 91,2% e 74,6% para a primeira e segunda doses, respectivamente.

O Ministério da Saúde destaca que os percentuais abaixo da meta elevam a vulnerabilidade ao sarampo, o que torna crucial intensificar a vacinação. Isabella ressalta a dificuldade de garantir uma cobertura uniforme devido à vastidão do país. "As coberturas estão no limite da meta. No entanto, a homogeneidade não existe entre os municípios. Enquanto a capital do Rio de Janeiro tem boa cobertura vacinal, o estado como um todo está entre os mais baixos do Brasil", explica.

Além disso, ela menciona a percepção de risco como fator de baixa adesão. “A ciência comportamental indica que, sem perceber risco, a população tende a ignorar o problema, mesmo que estampado em jornais. Contudo, quando a ameaça é visível e as pessoas buscam vacinação em massa, como ocorreu com a febre amarela, a reação é diferente.”

Cenário Global

Conforme dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), de janeiro até 9 de setembro, foram notificados 360.321 casos suspeitos de sarampo, com 164.582 confirmações em 173 países. As regiões mais afetadas são o Mediterrâneo Oriental (34% dos casos), África (23%) e Europa (18%).

Nas Américas, 11.691 casos de sarampo foram confirmados, resultando em 25 mortes em dez países. Canadá, México e Estados Unidos lideram com 5.006, 4.703 e 1.514 casos, respectivamente. Na América do Sul, há surtos ativos na Bolívia (320 casos), Paraguai (50) e Peru (quatro). A Argentina confirmou 35 casos em surto.

Estagiário sob supervisão de Odair Braz Junior

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